Um menino que gostava de meninos. I 

Pintura de Henry Scott Tuke


Hoje, quando me perguntam desde quando sou gay, respondo com uma certeza não muito segura, mas liberadora: desde que nasci. Talvez seja exagero, pois me é impossível lembrar como era antes dos dois ou três anos. E mesmo por um bom tempo depois dessa idade as lembranças não são assim tão abundantes.

Embora nunca tenha sido a “bichinha da escola”, vítima sistemática de bullying, fui atazanado e perseguido algumas e significativas vezes. Ficaram cicatrizes.

Desde meus três ou quatro anos, sempre houve alguma presença masculina que disputasse minha atenção. Nada sexual, até porque eu, então, nem sabia que sexo existia. Sem muito exagero, talvez nem mesmo que meninos eram diferentes de meninas. Minha primeira grande atração masculina não foi a figura de meu pai, nem de outro adulto. Nessa fase, apaixonei-me por um vizinho, Marquito, garoto de seus sete ou oito anos. Morava em frente à nossa casa e eu, não sei como, passei a admirar, do nada, sua figura. Era bonito, disso me lembro bem. Dependurava-me nas grades do muro para vê-lo chegar da escola, sair andando de bicicleta, e eventualmente vindo me fazer bilu-bilu-neném. Eu era mesmo pouco mais que isso. Sonhava com o dia em que eu também poderia ir pra escola, ser “homem” como Marquito. Mas na verdade, só décadas depois consegui ver e aceitar, já havia ali uma atração diferente.

Depois, na fase da pré-escola, em que não frequentei escola, comecei a prestar forte atenção na beleza de alguns homens adultos. De dois deles ainda me recordo com muita nitidez. Eram, seguramente, homens que tinham beleza e sexualidade mais aflorada do que os carrancudos, sisudos e supostamente castos homens de minha cidade, então quase aldeia. Não, nada de sexo ou abusos. Sequer referências. Na sociedade pudica em que vivia, não me passava pela cabecinha nem mesmo imaginar que os homens adultos tivessem pintos.

No primeiro ano de escola, me apaixonei por um colega da segunda série que me dava atenção. Uma atenção que nunca tinha recebido de ninguém, acho. Era cabeludo, — o que, naquela época, lhe dava um ar de ousadia e modernidade –, bonitão e bem desenvolvido. Gostou de mim, conversava comigo, se interessava por mim. Eu passei a imaginar que pudesse ficar sozinho com ele, receber dele carinhos que, só hoje sinto, estavam me faltando em casa. Sempre tinham me faltado. Em minha imaginação infantil, a maneira como isso aconteceria seria ele ficando doente e eu, só eu, cuidando secretamente dele. Não via Glauco como um homem, um meninão, mas um amigo a quem eu queria muito. Hoje, porém, sendo honesto comigo, admito que havia, sim, uma forte atração, uma misteriosa e muito prazerosa atração, um desejo de aproximação verdadeira, proibida por um motivo incompreensível, que eu atribuía à nossa quase diferença de classe social. Nessa época, me imaginava personagem de uma história de amizade entre dois meninos. Eu amado e admirado por Glauco. Sim, porque pequeno e pobre como eu era, jamais poderia ser “amigo” dele, bonito e rico. Só em imaginação. Se isso não era paixão, também não sei que nome dar ao que sentia. Ah… Marco, o Marquito, e Glauco. Romanos imperadores da minha primeira infância.

[Exatamente aqui, entre esses dois parágrafos, cronologicamente dispostos, aconteceu, sim, um caso de violência, sistemática e continuada, por quase um ano. Fui abusado por um primo. Preferia não estragar esta história, peguei leve no texto original, não queria levantar mais essa bola, mas depois do depoimento que registrei sobre o assunto lá no Identidade G, e como aqui se trata de fato de minha biografia e não de ficção pura e simples, coloco aqui este adendo hoje, 6 de março de 2011]

Cheguei à primeira comunhão quase puro. Quase, não fosse pelo súbito interesse por ver pintos que a amizade com um primo despertou naquele garotinho desinformado que eu era, alguns meses antes, já durante o catecismo preparatório, lá por volta dos sete anos. Nessa época, esse primo, com seus doze pra treze anos, meu vizinho, já entrara na adolescência e os hormônios estouravam em tesão por todos os seus poros. Vivia falando essa palavra estranha, desconhecida e ao mesmo tempo fascinante e misteriosa: — tesão, tesão… andando de pau duro pra lá e pra cá, e não raro dando uma mijada na nossa frente, pra gente ver… Um dia, ficamos conversando a sós e criei coragem para lhe perguntar se ele gostava de sentir o pinto dele duro. (Bem, aos sete ou oito anos, eu já notava que meu pintinho ficava eventualmente duro, embora eu ainda não sentisse nada diferente nessas horas). Ele não só disse que adorava, como prontamente me mostrou seu pinto. Era já um exibicionista de primeira e adorava mostrar-se superior. Fiquei maravilhado: ali ao meu lado, grande, grosso, e com a cabeça descoberta… Em contraste com o meu pintinho, pequeno e com pele presa (fimose, não sabia). Essa primeira visão de um pauzão duro, nunca esqueci. Apesar do impacto, hoje concluo que não devia ser lá tão grande assim. Ele nem pelos tinha, ainda, e nunca esporrou em suas demonstrações masturbatórias, enquanto duraram nossas brincadeiras.

Mas o safado já entendia de todas as sacanagens que homens e mulheres faziam, e as coisas que me contou derrubaram meu mundo. De repente, comecei a imaginar que todas aquelas pessoas puras, castas e rezadeiras, também tinham um lado misterioso. Colocavam pintos em xoxotas. Disso nasciam as crianças. E alguns meninos e homens faziam coisas diferentes. Eram os “veadinhos”, como eu passei a ser chamado por meu primo, pelo simples fato de ter um pinto pequenininho, e que não arregaçava a cabeça, essa a justificativa dele para me tachar “veadinho”. — Você é “veadinho”. Segundo ele, “veadinhos” eram assim. Homens tinham pintos, pintões, diferentes, arregaçados, poderosos. Só “veados” tinham pintinhos como o meu. Estúpido, desinformado e muito maldoso.

Não contente em falar essas coisas, me contava como eram os outros paus que ele já tinha visto, mostrava-me o dele, insistia para que eu pegasse. Contava-me que fulano tinha um cacete de vinte e um centímetros. E riscava o desenho na calçada. Eu, vendo aquilo, duvidava que existisse algo tão grande… E, pior, se existisse, imaginava que o meu jamais chegaria a tanto… como de fato não chegou… Confesso que gostava de ver o bilau de meu primo, mas nunca tinha vontade de ficar pegando. Com o tempo, ele foi me informando… como se fazia troca-troca, como se punhetava, como os caras faziam com garotas etc.

Enfim, era, de minha parte, uma coisa absolutamente pueril. Que me levou a ser vitima de um cara que, ele sim, sabia o que estava fazendo. Nem mesmo bilaus eu conseguia ver com frequencia, embora minha curiosidade tivesse passado a ser quase permanente desde então. Nunca mais consegui me livrar do complexo em relação aos demais. Meu primo foi cruel. Além de me humilhar pessoalmente, espalhava sei lá o que para seus colegas, e passei a ser motivo de risadinhas sacanas, maliciosas, vítima de olhares de desprezo sempre que passava por alguém do grupo próximo a ele. Até sair de casa e ir à escola passou a ser uma tortura, que eu vivia em segredo. Nunca soube que mentiras ele inventou. A verdade sobre o que ele fazia é que não terá contado … Sim, mentiras, porque entre nós nunca tinha rolado nada de que eu pudesse suspeitar fosse errado ou vergonhoso. Nunca tínhamos feito nada além de ficarmos pelados juntos, manipulando nossos paus (ele o pintão, eu o pintinho). Ele pedindo: — pega aqui. Eu dando uma pegadinha rápida e assustada. Não gostava. Queria ver, admirar. Pegar, não.

[agora, você que teve saco pra chegar até aqui na leitura já sabe que nesta parte do texto eu dourei a pílula; omiti algo mais pesado na versão original, contei o acontecido sem referências a quaisquer abusos maiores que, de fato, infelizmente, aconteceram; acho que não vem ao caso detalhar; falo sobre as marcas, é isso que importa.]

Outros garotos e rapazes vieram. Poucos, mas atrozes em suas brincadeiras depreciativas, me jogando pra baixo sem que eu jamais conseguisse ou pudesse reagir. (O mau que essas sacanagens nos fazem resulta da impossibilidade de defesa. Covardia das grandes). Nunca fiz nada que pudesse ser considerado ato sexual propriamente com ele. Nem com outros, até adulto. Depois dos encontros com esse meu primo, nunca mais segurei num pinto. Nunca fui abusado fisicamente. Mas as palavras e poucos atos deixaram algumas cicatrizes fundas, tão ou mais marcadas do que talvez tivessem deixado brincadeiras carnais contundentes, em relações menos assimétricas, com garotos da minha idade, em mesma fase de desenvolvimento. Relações menos desiguais, enfim. Enquanto os traumas se consolidavam, minha curiosidade em relação aos homens só aumentava. Curiosidade por aquele mundo desconhecido ao qual eu sentia não pertencer, no qual eu jamais seria admitido. Aquele mundo de homens pauzudos, valentes, poderosos, que jogavam futebol, gostavam de garotas, falavam de xoxotas, metiam em cus, punhetavam pensando em seios e esporravam litros.

Chegando à adolescência, também comecei minha inevitável fase de punheteiro, entre doze e treze anos, inaugurando novo capítulo, ou antes, dando continuidade à mesma e velha história. Solitária. (No fundo, nossa história acaba sendo sempre a mesma, escrita desde muito cedo; podemos mudar, sim, mas as sensações ficam, quando não conseguimos encerrar de modo satisfatório e bem resolvido a fase anterior).

Nunca pensei muito nisso tudo, e quando lembrava, vinham apenas recordações nada amarguradas. Mas agora, escrevendo, uma certa ponta de tristeza me invade. Acho melhor interromper… por hoje.

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Comentários

  • Lito  On 21/06/2010 at 11:50

    Nossa cara vc escreve muito bem, entrei só pra ler duas linhas e acabei lendo a historia toda ^^

    Parabéns.

    Sinto muito pelo que vc passou na sua infância.Acho que todo mundo passa por coisas assim.E achei super importante vc ter deixado bem claro que não sofreu abuso…As pessoas tendem a associar que somos gays por que sofremos abuso sexual durante alguma fase da vida e nem sempre isso é verdadeiro.

    Também achei fantástico o fato de vc ter deixado claro a sua inocência de menino e sua maturidade que aos poucos foi sendo alcançada.Contudo, sem haver promiscuidade durante a adolescência,tento apenas maiores contatos sexuais na fase adulta.

    Adorei seu blog, vai ser mais um dos meus favoritos aqui.
    Queria te pedir um favor:Seria possível mudar a cor pra uma mais escura?
    é que sofro do fotofobia,ler nessa tela clara é um sacrifício que vc não tem idéia…

    Abraços!

    • Alex Martini  On 21/06/2010 at 12:19

      Obrigado! Bom que você gostou.
      Uma história pode mostrar como muitos têm histórias iguais…

      • Junior  On 21/06/2010 at 20:30

        Sim, muitos. Me vi em algumas passagens da sua históra e imagino que escrevê-la tenha mexido com os seus sentimentos. Já pensei em escrever a minha no blog, mas ainda não o fiz por isso. Não que eu tenha sofrido “bullings” na escola, não é isso, mas creio que eu sabia desde cedo que seria diferente daqueles meninos que só falavam de meninas pra mim e me deixavam desconcertado.
        Alex, muito boa a leitura que fiz do seu texto. Difícil o blogueiro manter a atenção do leitor com textos grandes e vc, como eu já disse, tem esse poder.
        Parabéns.
        Junior.

      • Alex Martini  On 21/06/2010 at 21:58

        Pois é, Junior, a história de nossa (futura) sexualidade começou, com todos que conheço, lá atrás. Sei que blogs não são, digamos, o veículo mais adequado para esses textos, mas começo a escrever e acabo indo além do razoável.
        Como não tenho a pretensão de ser campeão de leituras, fico feliz em já ter poucos mas muito qualificados e agradáveis leitores para compartilhá-los.

        Senti vontade, escrevi. Mexeu, mas está sendo bom. É bom buscar os sentimentos mais profundos que nos acompanham. Nossa memória sentimental, revivida agora, que não somos mais aqueles meninos indefesos, mas homens, capazes de enfrentar a vida e o mundo!

        Como não posso voltar no tempo e falar diretamente àquelas pessoas, que já nem existem mais, como não existe mais aquele menino que fui, tento o resgate pelo texto, para mim mesmo. Reviver. Reavaliar. Recolocar.

        Obrigado!

  • Heiderscheid  On 24/06/2010 at 22:48

    Que interessante experiência de vida você tem. Eu não diria que essa época da minha vida foi igual – mas foi bastante semelhante. E eu meio que ainda estou vivendo (ainda tenho 17 anos). Não tive essa sorte de poder admirar um pinto de um primo mais velho tão novinho… só fui descobrir o que era pinto de verdade lá depois dos 11~12 anos.
    Texto muito gostoso de ler, parabéns.

    • Alex Martini  On 25/06/2010 at 11:10

      Caro Heider,
      sei que contado assim, distante no tempo, pode parecer uma coisa interessante. Mas isso só é aos nossos olhos de hoje, meu, seu e de outros, que revemos as cenas com nosso olhar atual, já experiente.
      Quem viu aquele pau foi um garoto de sete anos. Não fui vítima. Fui, antes, atraído por minha curiosidade e, diante da falta de alguma proteção, se meu primo quisesse, e se eu fosse mais afoito, poderia até ter acontecido outra coisa: ter sido enrabado. Já pensou? Não sei como teria sido minha história se a brincadeira tivesse tomado esse rumo. Impossível saber.

      Você, por outro lado, viu um aos doze, já adolescente, já sabedo um monte de coisas sobre sexo, já sabendo que um dia seria homem também, igual ao que você estava vendo. E, espero, não terá sido ridicularizado por ver e/ou fazer algo mais.

      Sinceramente, se eu pudesse refazer o filme de minha vida, as cenas com meus primos seriam cortadas. Reecreveria outras, de forma a satisfazer minha curisoidade sem traumas. Sim, traumas. Não tem como dizer que não sofri.

      A forma como um garoto de sete anos vê as coisas é bem diferente de como verá quando adulto. A dimensão, e as consequências, são outras. Daí a necessidade de que as crianças sejam protegidas. Inclusive de sua própria e precoce curiosidade… Mas os pais, muitos, preferem fechar os olhos e não ver o que está acontecendo. Preferem ver seus filhotes como anjinhos assexuados.

      Disso decorre que a vida de uma pessoa pode ser uma loteria. Eu, hoje, faria outra aposta!

  • Emildo Coutinho  On 14/06/2011 at 10:07

    Oi Alex, muito bom o seu texto; fiquei até com vergonha diante da qualidade de sua escrita. Quanto ao conteúdo, o que posso dizer? Fui até o final dele visualizando o seu drama e a humilhação por parte da garotada. Diria que foi bullying, realmente. E numa época em que não se usava esse termo, não? Tenho muitos amigos homossexuais e todos contam histórias parecidas. O que noto é que as cicatrizes fizeram de alguns pessoas difíceis de se conviver. Como vê isso? Desculpe a pergunta, mas vi que você é uma pessoa que se expressa muito bem e também muito instruída. Me perdoe de fui inconveniente…

    • Alex Martini Bra  On 14/06/2011 at 14:47

      Oi, Emildo! Obrigado pela visita e pela generosa avaliação. E, sobretudo, pela aceitação.
      O conteúdo, a história, costuma chocar algumas pessoas, pela franqueza e por alguns termos menos pudicos. Fico feliz em ver que você não desconsidera ou condena os que, como eu, não pertencem à maioria, nesse aspecto (que considero irrelevante, mas que pra muita gente ainda é motivo de condenação).

      Sobre sua pergunta: concordo com você. Todo tipo de sofrimento tem consequências. E muitas pessoas sobrevivem, mas carregam consigo dificuldades, mágoas, que as tornam ásperas, amarguradas, quase violentas no contato com os outros, numa espécie de revolta mal resolvida com a humanidade. Enfim, acho que alguma consequência sempre há. Comigo não é diferente. Acho, no meu caso, entra o atenuante de não ter sofrido propriamente violência no sentido da violência física, estupro. O ser humano é sua história, mas sobretudo o que foi capaz de fazer com sua história.

      Mas essas cicatrizes e suas consequências não são só com aqueles que desenvolveram, ou nasceram com, uma sexualidade diferente da maioria. No fundo, quase todo mundo tem uma explicação pra suas próprias imperfeições, asperesas, quase sempre calcadas em alguma cicatriz, sem dúvida.

      Especificamente sobre a sexualidade, essa coisa que vivemos em vida privada, quanto mais aceitos como seres humanos normais, menores serão as cicatrizes, menores as reações, maior a aceitação.

      Grande abraço

  • samad  On 28/06/2011 at 1:34

    nossa cara bem diferente da minha historia….
    minha historia foi assim……
    eu era uma criança de 9 anos ainda quando vi o primeiro pênis adolescente! nossa eu fiquei horrorizado com o tamanho daquele piruzão! era muito grande! e o menino só tinha 14 anos… ele era bem safadinho.
    Quando completei 10 anos, um cara de também 15 anos chamado Marcelo começou a me ensinar sacanagem! então eu ficava doidinho para ver o tamanho d.o pirú dele… nossa… quando ele me mostrou eu fiquei doido!…
    A partir desse dia eu comecei a dar em cima dele. até que um dia, os meninos lá da rua brincando de pique- esconde, ele me chamou para se esconder com ele, então eu fui… lá ele começou a roçar aquele pênis em mim. então não aquentei o tesão!!! deixei ele tirar minha virgindade anal. depois desse dia, o procurei para eu fazer uma segunda vez um sexo bem gosto! então me apaixonei por ele e tive um relacionamento escondido por 5 anos. a primeira vez que dei o cú para ele era em 2006 eu tinha 10 anos e ele 15. hoje estou com 16 anos e ele com 20. eu era louco por ele, mas ele nao gostava de mim. só me procurava quando não tinha nenhuma puta para ele comer e foder, ai ele vinha querer me rasgar com o piru dele (era grande e grosso e bem gostoso) a altima relação que tive com ele foi ano passado 2010. hoje não converso mais com ele! e nem faço sexo com outros meninos. essa é minha historia. um abraço do viadinho.

    • Alex Martini Bra  On 28/06/2011 at 14:41

      Legal você contar sua história. Sofrida, como quase todas.
      O perigo é a gente assumir algumas coisas que não são nossas, permitindo que façamos nós mesmos conosco o que de pior fizeram conosco.

  • José Antonio  On 28/07/2011 at 20:49

    Caro Alex,
    Tropeçei no Apimentário e acabei caindo aqui!
    Sua escrita me deixou atordoado.
    Existe uma precisão cirúrgica, uma clareza de bisturí que chega a cegar.
    Muito do que voce escreve pertence não só a sua própria história ,mas da história comum de todos os solitários excluídos independente da sexualidade.
    É um elogio estranho, mas ainda sim um elogio: A muito tempo não encontrava uma linha que me perturbasse tanto!
    Grande Abraço

    • Alex Martini Bra  On 29/07/2011 at 14:09

      Caro José Antonio,

      sem dúvida, um elogio e tanto. Obrigado!
      E, porque gostamos de elogios? Porque eles mostram que conseguimos estabelecer uma comunicação verdadeira, passar nosso recado, e descobrir no outro algo que temos em nós, independentemente da sexualidade, que é apenas um aspecto de nossa integralidade> Diria que até irrelevante, até, se considerarmos que temos, todos, muito mais sentimentos e interesses em comum. Somos todos humanos!
      É muito gratificante ouvir isso de alguém que consegue ultrapassar essa barreira e divide sua impressão. Vou pensar sobre os “solitários excluídos”. E, quando estiver em casa, vou fazer-lhe uma merecida visita.
      Grande abraço

  • secreto secreto  On 31/12/2011 at 2:50

    oi, eu tenho uma grande dificuldade de admitir mas tenho quase certeza de que sou gay e meu pai me bota contra a parede e fala que eu tenho que ser como ele: um jovem “pegador” porém eu não sinto prazer vendo corpos nus de mulheres.somente sinto prazer e mistério por corpos de homens.
    o que devo fazer?enfranta-lo e revelar a todos minha verdadeira natureza ou deixar simplesmente essa tortura continuar?por favor responda.saiba que eu preciso muito de sua ajuda.
    desculpe-me pelo e-mail e nome falsos pois tenho medo de revelar-me.

    • Alex Martini Bra  On 31/12/2011 at 19:39

      Olha, vai com calma!
      Nada é tão urgente que não possa esperar um pouco.
      Te enviei uma mensagem pror mail q vc deixou!

      Paz pra você!
      Feliz 2012!

  • Jean  On 28/03/2012 at 19:10

    Parabéns, Alex! Realmente seu texto é muito bem redigido e carregado de sentimentos que só uma autobiografia pode ter. encontrei seu blog por acaso, enquanto pesquisava por Henry Scott Tuke. Sou estudante de artes e já tive um blog em um passado distante. Há tempos que não me senyia tão cativado ao ler um texto de blog.
    Obrigado por esta experiência!
    Quanto ao desenvolvimento da questão afetiva e sexual no decorrer dos anos, acho que realmente similaridades são inevitáveis. Por sorte você (ao que me parece) como eu, passamos por estas fases da vida sem desenvolver problemas que possam ser considerados realmente sérios. Infelizmente não é a realidade de muitos. Por ser ainda um tabu, reiterado por muitos (políticos, professores, pais, líderes religiosos, etc.) a questão da afetividade e sexualidade denominada “diferente” é menos discutida do que deveria, mas prefiro acreditar que caminhamos para a mudança deste quadro, mesmo que lentamente.
    Bem, desejo a você muito boa sorte não só com o blog, mas na vida como um todo e mais uma vez agradeço por essa experiência.
    Um abraço.

    • Alex Martini Bra  On 28/03/2012 at 19:14

      Caro Jean,
      O melhor de ter um blog, mesmo que meio bissexto como o meu,
      é ler comentários como o seu!
      Em outros tempos, não tínhamos a oportunidade de compartilhar esse tipo de experiências,
      e muitas vezes ficávamos nos achando os únicos na face da terra a enfrentar certas experiências e sentimentos.
      Obrigado!

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