Heleno, o filme, vale a pena ser visto, especialmente se você quiser (adaptando aqui uma frase do Zanin), fazer uma reflexão sobre a tragédia da fama, sobre os enganos do mundo das celebridades.
Normalmente, associo, associamos, sucesso e dinheiro a felicidade, mas essa equação nem sempre tem resultado seguro. Aliás, talvez a vida de todos nós, bilhões que estamos por aqui, nos reserve mesmo mais tragédias do que momentos felizes, e os ricos e/ou famosos apenas tenham suas mazelas mais divulgadas.
Sei que é assim, mas não me acostumo a essa idéia, nunca. Não consigo entender. Muitos, que poderíamos chamar preconceituosos, costumam dizer que, entre os famosos, as tragédias são mais freqüentes entre aqueles sem formação acadêmica, estudo, sem estrutura para lidar com a fama, sucesso, dinheiro fácil. Alguns tristes (não no sentido financeiro) jogadores de futebol (e me refiro só aos brasileiros) estão aí a nos mostrar tragédias nada invejáveis, que provavelmente nenhum de nós toparia encarar, mesmo com toda a grana que têm.
Embora não entenda nada de futebol, nunca tenha jogado e nem mesmo assistido a uma partida completa sem sair da frente da tv, tenha ido poucas vezes aos estádios, não tenho nada [já tive, muito] contra, não fecho os ouvidos e os olhos a um bom texto sobre futebol, que muitas vezes é apenas o chute inicial para reflexões maior sobre a vida. Esporte e futebol rendem boas ideias, textos, histórias, e filmes. Lugar comum: futebol é, também, vida.
Heleno conferi, gostei, recomendaria a todos que quiserem assistir a um filme muito bem feito, com fotografia impecável, que nos remete a um Brasil e a um Rio que já não existem. Não fosse pela distância que separa personagens e contextos, diria que há, em Heleno, algumas doses da “Doce Vida”, naturalmente sem a tragédia final do protagonista.
Além disso, a simples presença de alguns atores sempre recomenda que assistamos a um filme. Em Heleno, Rodrigo Santoro fez belíssima figura. E não, não é pela beleza física. Quem assistir entenderá.