Memórias do assédio, por Ariel Dorfman

Meus caros dois leitores.
Divido com vocês um texto a que cheguei por mero acaso, hoje.
Todos nós talvez já tenhamos passado por situações assim, transmutando-nos de agredidos em agressores.

Destaco algumas passagens como aperitivo para a leitura, aqui: Memórias do assédio, por Ariel Dorfman, em O Estado de S. Paulo.

“… sabia que eu não iria feri-lo de verdade. Sabia que, no fundo (e, por que não admitir, na aparência também), eu era um menino pacífico, daqueles que têm o cuidado de tirar da casa um bicho ou uma aranha para que percorram em liberdade sua curtíssima vida. Johnny sabia mais de mim do que eu próprio.”

“… é terrível ser vítima, mas muito pior é converter o outro ser humano em vítima; muito pior é perpetrar contra um semelhante o que nos fizeram deslealmente. ”

Livros – Espartanos.

Vidas na história e a história na vida.

Ainda vou ler, mas recomento desde já. Não, não se trata de propaganda, mas de divulgar o trabalho de um cara que estabelece ao redor de si uma espécie de corrente do bem.

A obra merecerá atenção pela seriedade dos escritos do autor — que acompanho há algum tempo nos blogs em que ele tão generosamente inclui textos históricos, narrativas sobre a vida, ou comentários inteligentes, independentes e muito corajosos.

Lenin Foxx, é dessas pessoas que não vieram ao mundo em vão. Ao contrário, têm muito a nos ensinar, e deixará, certamente, um mundo melhor do que encontrou. Por nada, por nada, por ter feito uma grande e positiva diferença na vida de muitos, inclusive pela possibilidade que hoje a Internet nos dá de conhecer tanta coisa boa.

Termino com a conclusão de um texto de Gabriel Bruno Martins, divulgado no blog Estórias do Mundo: “A obra entretém, além de informar, e pode ser usada como ponto de partida para discussões mais amplas que ultrapassam a época em que há o desenrolar da história. É uma trama que avança além do que se propõe, uma resposta artística à História de ontem e hoje.”

Para conhecer um pouco mais, clique aqui: Clube de Autores.

Música – O violino do sertão

As manifestações artísticas dos nossos sertões é sempre surpreendente. Nos lembram sempre que a arte é uma necessidade. E muitas vezes essas obras têm uma sofisticação absolutamente inescrutável!
O som puro do Nordeste sempre me encantou. Na adolescência, gostava de ouvir o Quinteto Armorial. Hoje, por acaso, me deparei com esses excelentes Rabequeiros! De Pernambuco!

Fonte: Carta Capital, Edição 695.

Cinema – Heleno

Heleno, o filme, vale a pena ser visto, especialmente se você quiser (adaptando aqui uma frase do Zanin), fazer uma reflexão sobre a tragédia da fama, sobre os enganos do mundo das celebridades.

Normalmente, associo, associamos, sucesso e dinheiro a felicidade, mas essa equação nem sempre tem resultado seguro. Aliás, talvez a vida de todos nós, bilhões que estamos por aqui, nos reserve mesmo mais tragédias do que momentos felizes, e os ricos e/ou famosos apenas tenham suas mazelas mais divulgadas.
Sei que é assim, mas não me acostumo a essa idéia, nunca. Não consigo entender. Muitos, que poderíamos chamar preconceituosos, costumam dizer que, entre os famosos, as tragédias são mais freqüentes entre aqueles sem formação acadêmica, estudo, sem estrutura para lidar com a fama, sucesso, dinheiro fácil. Alguns tristes (não no sentido financeiro) jogadores de futebol (e me refiro só aos brasileiros) estão aí a nos mostrar tragédias nada invejáveis, que provavelmente nenhum de nós toparia encarar, mesmo com toda a grana que têm.

Embora não entenda nada de futebol, nunca tenha jogado e nem mesmo assistido a uma partida completa sem sair da frente da tv, tenha ido poucas vezes aos estádios, não tenho nada [já tive, muito] contra, não fecho os ouvidos e os olhos a um bom texto sobre futebol, que muitas vezes é apenas o chute inicial para reflexões maior sobre a vida. Esporte e futebol rendem boas ideias, textos, histórias, e filmes. Lugar comum: futebol é, também, vida.

Heleno conferi, gostei, recomendaria a todos que quiserem assistir a um filme muito bem feito, com fotografia impecável, que nos remete a um Brasil e a um Rio que já não existem. Não fosse pela distância que separa personagens e contextos, diria que há, em Heleno, algumas doses da “Doce Vida”, naturalmente sem a tragédia final do protagonista.

Além disso, a simples presença de alguns atores sempre recomenda que assistamos a um filme. Em Heleno, Rodrigo Santoro fez belíssima figura. E não, não é pela beleza física. Quem assistir entenderá.

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