Dias secos, aprendi, também são belos!

Em Brasília, 23 de julho de 2010, falta pouco pro meio-dia. Céu azul algo cinza; sol forte, quente e branquelo, hoje meio enfraquecido; brisa fresca à sombra. A temperatura exata? Nem idéia… não tenho aqui comigo um termômetro e não confio nessas placas horrorosas que há nas ruas: elas sempre mentem, exageradas! Pra cima ou pra baixo, gostam mesmo é de assustar a gente. O que importa é a sensação térmica. E esta é muito agradável.

Como agradáveis podem ser todos os nossos dias, depois que aprendemos a optar por uma visão dócil da sucessão dos dias, como quer que eles venham … A cor do céu, aqui, especialmente nesta época, aproxima-se do lindo céu argentino, aquele azul da bandeira dos vizinhos.

Sim, claro… Eu aqui falando na beleza do clima e me lembro das tragédias… O tempo é sempre belo, embora às vezes traga dias tristes, como vivem hoje nossos irmãos da serra gaúcha…

Qualquer um que se ponha a contar sobre o tempo em Brasília no meio dos anos, ficando preso à meteorologia, cores e graus, viverá a sensação de uma quase monotonia. Mas poderá também fugir ao enfado buscando entender as mensagens cifradas da natureza. Aprender a ver beleza onde sempre está, mas muitas vezes não a vemos, sentindo-se quase dono de um olhar criativo… buscando na variância das sensações aquilo que o tempo efetivamente só trará aos poucos. Entre julho e agosto, vamos migrando dos dias frios e secos pra outros quentes e ainda mais secos, até o desespero que inaugura setembro, para finalmente respirar num quase alívio quando da primeira chuva, retomando outra bela temporada.

Vindo do Sul, demorei muitos anos pra entender que a seca também tem, sim, muita, beleza. Demorei a perceber que a grama seca se converte em tapete de outra cor; que as árvores, depois de tingir a paisagem com cores variadas e forrar o chão, secam mostrando não ramas nuas, mas um esqueleto escultural. Demorei pra sentir que essa excêntrica combinação de ar frio com sol quente pode ser tão agradável quanto um chocolate quente e espesso num dia de frio e chuva.

OBS: texto publicado como comentário no blog Na Mira do Leitor. Acabou virando post independente.

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Uma resposta para Dias secos, aprendi, também são belos!

  1. Junior disse:

    Ainda bem que você percebeu a tempo que a beleza existe em qualquer coisa, em qualquer lugar, em qualquer pessoa. Nós que, (muit) as vezes, não percebemos. Eu não pude perceber um dia.

Comentários

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