gente ressequida

Gente ressentida, seca,
triste!

Perderam o trem,
mas não aceitam a estação
agora solitária,
com os solitários pardais e baratas,
ratos e morcegos.
Uma festa na solidão.
Só o que resta.
Sós os que restaram.

O trem partiu. Levou passageiros,
felizes alguns, outros até mesmo saudosos.
Nenhum voltará.

Elas? Ficam!
Mas ainda não sabem.
Melhor que nunca soubessem…

Vão despertar um dia? Quando?
Já nada mais poderão fazer,
quando a tarde estiver cinza e
os pássaros já silentes, com baratas cada vez mais desesperadas.

Despertarão com a ressaca de quem nunca bebeu,
ou talvez nem acordem,
nem mesmo quando
todas as árvores já estiverem secas,
como suas almas estão há muito. E não sabem!

Conseguirão a façanha de que o amanhecer,
pra elas,
traga ainda mais escuridão.
Aquela escuridão que nunca viram.
Mas, indiferente, sempre esteve.

Terão uma saída?
Sempre há uma saída,
mesmo na mais escura escuridão.
Mas ela está lá onde não veem,
está lá onde não querem.

Está lá onde verão,
sua própria escuridão,
para só então,
partirem buscando luz,
fugindo do breu que assola.

Terão fome da luz que viram mas nunca enxergaram,
que nunca quiseram ver,
mas sempre esteve.

Luz e escuridão, sempre, estão.
Escolher. E ficar. Pegar.
O próximo trem,
um dia,
virá!

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4 respostas para gente ressequida

  1. guapoinnatura disse:

    Oi Alex, o que eu interpretei aqui tem (ou não, posso está viajando) muito ver com o que irei postar amanhã. Vc irá entender, mesmo que considere que não.

    • Alex Martini disse:

      Tudo a ver. Mesmo, Junnior!
      A luz e a escuridão que há em nós.
      Eu falei sobre a luz e a escuridão externas, mas no fundo elas são, tão siplesmente, o espelho do que há em nós!
      E pensar q originalmente esse texto falava só da partida, numa estação de trem, imagem que me veio a partir do ressentimento de pessoas que não conseguem superar o fato de terem sido “deixadas” na vida, superadas deslealmente na concorrência da vida, ou superadas pelas próprias deficiências…
      Deixadas por elas mesmas, ao invés de viver a vida e esperar o próximo trem, vivem amarguradas, condenando aqueles que já seguiram viagem…

      Um Beijo, meu irmão!

  2. Junior disse:

    Não sei o que houve. O comentário anterior é meu. Guapoinnatura é o blog que eu pretendia desenvolver pelo “wordpress”, mas ainda não consegui me adaptar à plataforma.

    • Alex Martini disse:

      Guapo, ainda mais “in natura”…
      Acho q deve desenvolver, logo. Adapte-se usando.
      Eu comecei no Blogspot, mas não me adpatei bem. Tenho preferido me manter por aqui, no WordPress. O gerenciamento (acompanhar quantos acessos, que palavras usam no Google pra encontrar o blog) contribuíram pra minha opção.
      Ainda mantenho o outro, lá no Blogspot, mas pretendo ter duas “linhas editoriais”.
      Uma mais poética, leve, se é que assim posso chamar. E outra voltada mais diretamente aos temas da sexualidade.
      O grande problema, nessa minha dualidade bloguística, é que eu ainda não me decidi onde publicar meus relatos autobiográficos propriamente ditos. Que a maioria busca como se fossem contos erótico-pedófilos, outros como simples sacanagem sem entender nada do que está por trás da história. Ora coloco lá, ora cá, ora tiro do ar…
      E assim, vou escrevendo.
      O melhor de tudo, confesso, foi estabelecer um proveitoso contato (virtual) com quatro homens, pessoas, muito interessantes até agora.
      Sofredores da nossa condição, em busca de saídas libertadoras, como todos!
      Reative, ou ative, o Guapo. Especialmente se ele gostar de ficar “in natura”, livre, leve e solto.

Comentários

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