Cenas de academia – I

Nunca gostei de academias. Som alto, gente exibicionista inflando egos ainda mais que músculos hipertrofiados… um horror! Neste ano, colesterol e triglicérides subindo a serra, o médico avisou: ou você muda de vida, ou toma remédios, ou muda de médico. Optei pela mudança de hábitos. Inicialmente, tentei alguns meses com um personal. Logo cheguei à conclusão de que me render a uma academia comum ficaria mais em conta. E muito menos monótono.

E não é que comecei a gostar? Comecei a admitir que havia mais homem bonito por ali do que em quase qualquer outro lugar por onde já tivesse andado! Fosse em outros tempos, quando qualquer perna bem torneada me dava sempre um quase enfarto, paqueraria pelo menos metade deles. Os outros, suponho, devem ser héteros irredutíveis.

Bem, apesar de não me interessar sexualmente por nenhum deles, acho gratificante compensar a monotonia daqueles exercícios chatos tendo pelo menos algumas beldades pra ver, admirar. Compensam a chatisse da rotina de quem ainda não aprendeu a sentir prazer em testar o limite dos próprios músculos. Surpreso, comecei a notar que alguns deles, ainda que disfarçadamente, também olhavam. Pegava sempre um deles, dos mais bonitos, olhando de rabo de olho, mas sempre fugindo quando pego quase em flagrante. Nessas horas, arranja uma garota pra conversar, como se me dissesse: nem vem, minha praia é outra, não interprete mal. Tudo bem, já passei o tempo de querer desvendar esse tipo de conflito. Nem quero saber mais onde terminará cada um com suas próprias dúvidas e desejos reprimidos, ou mesmo simplesmente desconhecidos.

Outro dia, esse mesmo rapazo entrou na sauna. Sim, a academia tem uma sauna, pequena, onde cabem no máximo meia dúzia, e é exigido traje de banho. Pelado ali? Nem pensar. No vestiário, tudo bem, mas dentro da sauna, proibido. Pra evitar sacanagem, claro. A maioria fica mesmo de cueca. Brancas, inclusive, como ele estava naquele dia. E, cuecas brancas, molhadas, francamente, são mais sensuais e excitantes do que muito corpo desnudo — o que só demonstra, na minha opinião, que a pessoa que inventou essa regra, proibindo nus na sauna, não entende lá grande coisa de imagens eróticas. Bem, ele chegou como quem não quer nada, sentou, a academia ia fechar dali a meia-hora, quase ninguém entrava no vestiário onde está a sauna. Saí pra tomar uma ducha e ele deve ter imaginado que eu não voltaria. Mas é claro que eu ia voltar, né! E, ao entrar, o que vejo? Ele sentado, encostadão na parede, livre, com uma excitação inescondível, exaltando as formas da cueca. Boxer. Branca. Levou um mal disfarçado susto com minha entrada e curvou-se pra frente, fingindo mexer nos pés, tentando disfarçar. Mas não havia como. Era difícil esconder. Cuecas têm esse defeito: a depender do desejo, escondem pouco. Desistiu, assumiu o que mostrava. Eu, assumi o que via. Ambos sem medo, sem disfarces, numa naturalidade tão falsa quanto impossível.

Ao invés de fazer cara feia, como muitos fazem, como se a gente é que estivesse invadido a intimidade deles, sorriu, olhou, sorriu, sem jeito, arriscou: gostou? Não houve tempo pra minha resposta, que seria mera formalidade. Pra azar, ou sorte?, outro colega abriu a portinha e foi entrando. O terceiro elemento não demorou a perceber um clima estranho por ali e saiu, entre revoltado e envergonhado. O gostosão de cueca branca, então, não podendo sair logo (o terceiro ainda estava no vestiário), rendeu-se. Sentou abertamente, olhamo-nos de rabo de olho, baixei a cabeça balançando, num ar de incredulidade no que estava presenciando. Olhamo-nos e rimos, agora sem medo. O clima se desanuviou, mas não trocamos palavra. Deu uma pegada forte e falou: desculpa aí, cara, foi mal! Mal? falei! Mas ficamos só nisso. Como o banheiro já estava vazio, e temendo algum atrevimento de minha parte, foi pro chuveiro e logo saiu, já vestido. Nãoa completou a sessão com exibicionismo explícito.

Esperei um tempo, pra ele ir embora da academia e não encontrá-lo ainda pelos corredores. Não ia querer que interpretasse minha saída próxima como um interesse que eu, francamente, não tinha. Tudo bem, foi bonita a cena, mas pra mim a coisa ia terminar ali mesmo. Mesmo que ele quisesse algo mais.

Na saída, a garota que supus ser a namorada esperava. Passei por eles e disse chau!

Chau!

Até hoje, não apareceu mais por lá!

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2 respostas para Cenas de academia – I

  1. FOXX disse:

    pois eu já vi coisa mto “pior”
    hauahauahauha

Comentários

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