Os 3. Por que não?

Sempre que vejo um filme interessante, fico com vontade de compartilhar, mas acabo recuando. Há tempos meu gosto para filmes anda meio na contramão da maioria daqueles que encontro no dia-a-dia. Preferem aventuras, ficção científica, suspense, policiais, terror… filmes adrenalínicos demais pra mim. Pra não falar em cenas de violência que eu, há algum tempo, simplesmente risquei das imagens que me chegam das telas. Quando é inevitável ver um filme com alguma cena assim, fecho os olhos na hora e sigo adiante.

Um filme, pra me agradar, não precisa ser aceito nem elogiado pela maioria. Costumo gostar de coisas até bem desprezadas por muitos, o que, obviamente, não quer dizer que sejam piores ou melhores. Bom filme, pra mim, é aquele que me dá prazer, alguma satisfação, emociona, e se possível também faça refletir sobre algo novo, que preenche, me deixa feliz ao final. Uma boa fotografia, música bem escolhida (que pode até estar ausente), sem exageros ou apelos à emoção fácil. E, sobretudo, poesia, no sentido de mostrar ou nos fazer sentir algo elevado ou comovente nas pessoas, na vida que mostra. O cinema argentino, por exemplo, me agrada muito.

Cena do filme "Os 3", de Nando Olival

Um desses, o último que vi, foi o nacional “Os 3“. A simples referência ao único longa antes dirigido por Nando Olival já recomendaria. Domésticas, cuja direção dividiu com Fernando Meirelles, pra mim, é um grande filme. Já vi e revi várias vezes.

O Zanin falou bem do filme. Lá no Blog dele você poderá ler algo [bem] mais consistente a respeito. Vou me ater aqui a um dos aspectos que mais me impressionou: a habilidade do diretor em misturar ficção e realidade, em nos confundir. Quando você começa a achar algo, vem uma cena, uma fala, alguém que te mostra que você foi enganado, que estava na direção errada. Nunca dá pra saber o que é fato, o que é armação, antes que o próprio filme se encarregue de mostrar. Um amigo que entende de cinema me diria que não há nada de novo nisso. Eduardo Coutinho, por exemplo, é mestre nessa arte de misturar verdades e mentiras, personagem e pessoa real. Mas nem só de novidades se compõe uma boa obra. A história mostra dificuldades das relações tringulares e fantasias que costumam suscitar. [Em tempos de egos inflados e discussões sobre autoestima, anote uma frase que Rafael fala, quase ao final do filme.]

Mudar a forma de ver as coisas é sempre difícil. Romper paradigmas, arriscar o novo, não é coisa que façamos todo dia. Eu, pelo menos, raramente faço. E sempre com muito sofrimento, ou em decorrência dele. Muitas vezes, perdemos o melhor da festa por simplesmente nos recusar a dividi-la. Outras, por não acreditarmos que poderíamos participar dela, acreditando que seríamos bem recebidos, rompendo regras e tabus que temos sem nem saber de onde vêm. E, lá adiante, podemos acabar esquecendo que a festa em si é a própria vida, assim, como ela se nos apresenta. – É isso aí mesmo! A festa pode já estar adiantada e você esperando que começe!

Ao final, fiquei com vontade de ser um deles, estar com eles! E isso, num filme ou num livro, não é pouco: vontade de seguir a e na história. Mas já tinha terminado. Volta à realidade! Será?

Mas esse é um tema, da triangulação de afetos, merece ser discutido com mais calma, depois de rever como outros filmes trataram o mesmo tema. De qualquer forma, será sempre assunto polêmico, principalmente em épocas em que muito se confunde moral e ética com hipocrisia.

Os 3. Poético, bonito, mostra o talento de um diretor que tem tudo pra fazer uma boa história no nosso cinema. Esperemos os próximos! E também de jovens atores que poderão agradar bastante. Aliás, um parêntese final: a sensibilidade na composição das personagens e na escolha dos atores do trio foi tão boa que eu saí do filme sem sabe o que faria, quem escolheria (dentre os dois), se me coubesse acabar com aquele triângulo.

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3 respostas para Os 3. Por que não?

  1. preciso ver pra saber o que falar…

  2. luís disse:

    Já assistiu “pecados da carne”?(sei que parece nome de filme pornô mas não é) é um filme israelense muito bom, esse e o Primeiro que disse… são dois filmes íncrieis… vale a pena

Comentários

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