Memórias do assédio, por Ariel Dorfman

Meus caros dois leitores.
Divido com vocês um texto a que cheguei por mero acaso, hoje.
Todos nós talvez já tenhamos passado por situações assim, transmutando-nos de agredidos em agressores.

Destaco algumas passagens como aperitivo para a leitura, aqui: Memórias do assédio, por Ariel Dorfman, em O Estado de S. Paulo.

“… sabia que eu não iria feri-lo de verdade. Sabia que, no fundo (e, por que não admitir, na aparência também), eu era um menino pacífico, daqueles que têm o cuidado de tirar da casa um bicho ou uma aranha para que percorram em liberdade sua curtíssima vida. Johnny sabia mais de mim do que eu próprio.”

“… é terrível ser vítima, mas muito pior é converter o outro ser humano em vítima; muito pior é perpetrar contra um semelhante o que nos fizeram deslealmente. ”

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3 respostas para Memórias do assédio, por Ariel Dorfman

  1. sou mto fã do ariel. texto lindo mesmo, comovente.

  2. Cesinha disse:

    Muito interessante essa postura do Ariel Dorfman. Eu nunca sofri algum tipo de agressão, mas, sinceramente, não sei qual seria o meu tipo de reação. Talvez fosse mesmo o de revidar. Por exemplo, mesmo não tendo muito a ver com o assunto, sempre me intrigou a postura dos judeus nos campos de concentração… passiva por demais, do meu ponto de vista! Se já se sabia o que iria acontecer, por que não reagir de maneira mais agressiva? Morrer por morrer, ao menos se morre lutando! É um texto pra se pensar…

    Beijos, meu amigo!

    • Eu, infelizmente, acho que sou burro-reativo e, se pudesse, revidaria, e depois ficaria com aquele sentimento ruim a que ele faz referência no texto. Quando a violência não faz parte de um nível superior da sua consciência, mas um nível mais baixo e seu corpo agem nesse sentido, desenvolvemos uma espécie de remorso, culpa, difícil de lidar com ele…
      A questão que você levanta, da não-reação, mereceria muita reflexão…
      Muitos pontos podem ser levantados. Não há como raciocionar sobre tais situações, situações extremas vividas pelos seres humanos. As pessoas são, sem dúvida, diferentes, e muitos agiram como você fala, morreram lutando. Mas muitos acabaram sobrevivendo, é verdade que por pura sorte de ter a guerra findado antes de seu holocausto pessoal, mas isso mostra que não dá pra dizer que agiram de modo errado. É o que me ocorre.
      Até porque, a força bruta contra eles era tamanha, que lutar era praticamente inútil. Nessa situação, talvez fosse melhor sobreviver, lutar pela sobrevivência.
      Tanto os que morreram lutando como os que sobreviveram são heróis. Heróis que venceram a crueldade humana!
      Crueldade que começa nas pequenas coisas.
      Talvez esse o ponto a que o texto do Dorfman nos leve a pensar sobre…

Comentários

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