Pai, eu tenho um namorado!

Os doutores, filósofos, intelectuais de todos os calibres desprezariam, imagino, a idéia, mas eu confesso: sou naive, cada dia mais convicto. Cada dia mais, sem arrependimentos.

A maturidade – na idade física, porque na mental acho que ainda estou na infância prum monte de coisas – me ensinou uma coisa importante: o melhor caminho para a felicidade é ser o que se é. Óbvio, sei! Mas nem sempre foi assim tão claro. Pra mim, pelo menos. Não estou falando dos posicionamentos na vida, sexualidade etc. Claro que isso é fundamental e todo mundo que já gastou parte da vida pra assumir uma posição sabe como é longa, dolorosa e difícil essa estrada… pelo menos até há algumas décadas… Hoje, dizem, as coisas são mais fáceis.

Mas quero dizer especificamente assumir, admitir a nossa natureza mais secreta, nosso olhar para o mundo, aquele lado que muitas vezes não confessamos nem mesmo pra nossa sombra. Para uns, porque seríamos ridicularizados. Para poucos, por desnecessário.
Eu, por exemplo, me sinto muito feliz quando posso assumir meu lado naive, ingênuo. Gosto de ver e sentir coisas simples, gente simples, coisas verdadeiras, ao meu alcance.

Nessa linha, descobri nos últimos meses uma novelinha que passam na tv pública (eu vejo na TV Brasil, não tenho canais pagos em casa). Parece coisa já antiga, mas que eu não conhecia. Trata-se da série “Tecendo o saber”. Sempre que consigo levantar cedo, assisto. Gosto das cenas, da ingenuidade e pureza das personagens, da vida simples, uma vida que eu gostaria de ter. Se existisse. Na linha do comentário de ontem (O Filho de mil homens), acho que esse mundo nunca saiu da imaginação, mas eu gosto de começar o dia sonhando com um lugar daqueles…

Hoje, vi um episódio que, se não é o capítulo mais emocionante da série, mostra uma abordagem interessante e didática, sem rebuscamentos, da sexualidade, do respeito às diferenças. Nesse capítulo, um filho (o ator Rodolfo Mesquita) confessa ao pai (Benvindo Siqueira) que tem um namorado, que sempre soube que era diferente. Resolvi colocar o link aqui, caso algum naive como eu passe por aqui. Se não tiver tempo, assista o pedaço do vídeo entre 2m30 e 4m40.

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9 respostas para Pai, eu tenho um namorado!

  1. Cesinha disse:

    Ah, tá… se ser naive é gostar das coisas simples, então eu também sou! E quanto mais simples forem os sentimentos, a linguagem, os fatos, mais me emocionam. Exemplo: eu não conhecia essa série e, quer saber? Me emocionei! Mesmo que racionalmente tenhamos que admitir, como no caso desse vídeo, que ninguém muda de opinião tão radicalmente, como fez o pai do rapaz, a simplicidade da mensagem, a cena, comove. E, que mal há nisso?

    Outra coisa: prefiro o modo como você escreveu esse post. Passa mais a sua verdade. E, sendo bem sincero, você é uma das pessoas que mais me identifico na blogosfera. É isso!

    Beijos.

    • Obrigado pelas palavras, Cesinha.
      Tava mesmo precisando…
      Ser verdadeiro é o melhor caminho, mesmo que isso afaste muitas pessoas.
      Sempre pensei assim.

      Se puder dizer algo mais a respeito da sua frase “prefiro o modo como você escreveu esse post. Passa mais a sua verdade. “…

      Beijos

  2. Lucas disse:

    Sem querer meter o bedelho em conversa alheia (rsrsrs) vou concordar com o Cesinha: quando você escreve dessa maneira, podemos sentir, eu sinto o seu coração falando. E eu já te disse isso: você escreve super bem, com os sentimentos à flor da pele. Basta observar os seus comentários nos vários blogs que você visita. Isso, pra mim, é ponto pacífico.

    Posso ser sincero com você? Eu não consigo entender como você tem tão poucos leitores. Não faz sentido algum! Eu já cheguei a pensar que seria pelo formato do wordpress, com tantas “burocracias” para que consigamos comentar. Só pode ser isso. E não estou fazendo nenhum elogio barato (nem eu, nem você, precisamos disso) quando eu digo que você é uma pessoa com muito conteúdo.

    É assim que eu sinto. Beijos.

    • Lucas, muito obrigado pelas palavras, pelo incentivo!
      Escrever e não sensibilizar ninguém é muito chato. E é isso que eu sinto quase sempre que escrevi aqui. Várias vezes pensei em fechar o blog. Mas fechar mesmo, não tornar privativo. Se deixando aberto já quase ninguém lê…
      Vou refletir bastante sobre o que você e Cesinha falaram aqui hoje!

      Quanto aos leitores, acho que não deve agradar, porque quando agrada, as pessoas comentam alguma coisa. É quase instintivo isso.
      Nunca pensei nessa dificuldade do WordPress. Pensei que fosse mais fácil do que o Blogspot. Mas acho que os textos agradam poucos mesmo.
      Hoje tenho três leitores conhecidos, mas que valem por milhares!
      Seu comentário e o do Cesinha me enchem de ânimo pra continuar, nem sei pra onde, mas continuar…
      Beijos

  3. Margot disse:

    Oi Alex… Sou Margot, e já tinha dado uma lida em vários de seus posts. Mas rapaz, não desista de escrever. Sinceramente já pensei nisso também. Muitas vezes nos perguntamos:Porque? Porque escrever, porque esperar alguém ler, porque?, se nossos problemas não se resolvem por aqui. Mas, te digo. O problema pode não ser resolvido, mas encontramos pessoas, como os seus 3 leitores, que nos dão luz nova, nos fazem ver por ângulos diferentes e nos dão força, mesmo distantes, para tocar com nossa vida.
    Fique por aqui, não desapareça…. ganhou uma leitora hoje. Oficialmente…
    Abraços Alex….. fique bem.

    • Muita honra receber sua visita, Margot!
      Vc tem razão. A gente escreve, eu escrevo, não pensando em quantidade de leitores. Isso seria teria sido frustrante. Mas encontrar poucos leitores de grande valor, ouvir (ler) as palavras de apoio que li ontem e hoje… não tem preço!
      Abraços

  4. Luís Guerreiro disse:

    Pode até ser frustrante escrever para poucos leitores, mas você tem conteudo, não é vazio como a maioria dos leitores (se tivesse muitos), nunca desista, nem que seja seu próprio leitor. Não poderei vir aqui muitas vezes, talvez nem venha mais, mas não é por não querer, é por não poder, de qualquer forma, desejo que continue escrevendo porque, sinceramente, é bom ler textos de quem sabe o que diz. Abraço.

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