Algumas palavras, não deveríamos dizer [nem] a nós mesmos

Palavras sem rumo podem revelar uma vida perdida, ou uma vida em mudança… Para o bem, para o mal…

Maio chega ao fim. Mais um mês improdutivo em minha vida. Nada fiz, nada avancei, mas também não havia rumo a seguir. Só sobreviver à tempestade, que só eu vi, só eu senti, que era só minha. Apenas parei, quando tudo passou, à beira do rio e deixei viajar a imaginação na onda daqueles que navegavam, calmamente, como se tempestado alguma jamais os tivesse atingido.

Ali, naquela praça quieta no meio da grande cidade, alguns passaram e me reconheceram, me saudaram, sorriram. Outros passaram correndo, fingiram não me conhecer. Muitos fecharam a cara com medo de um oi, com pavor de um sorriso. Todos se foram. Eu fiquei. Sem idéias, sem ação, sem vontades, sem fome, sem sede, sem quase nada.

E desse quase nada começou a nascer uma vontade de remar em direção ao quase tudo. Ao quase tudo possível, que eu nem sei onde é, quando será, se um dia será verdade.

Sobrevivi! E isso é o que importa. Sobrevivi à noite escura que sempre me assusta. Sobreviverei a todas as noites sempre escuras que virão. Essa certeza pode cansar, mas, ao mesmo tempo, anima. É preciso dormir, acordar, seguir.

Deixar que o milagre da vida, do eterno renascimento, da eterna reorganização, troca ou renovação da matéria que me abriga se processe, siga em seu leito natural. Que posso não saber qual é, onde está, mas existe.
Preciso parar, romper essas represas ainda desconhecidas que seguram o rio que, temendo me destruir com uma intensa pororoca, impeço que lave minha alma, e deixe que a natureza se faça.

As palavras me confundem. Os sentimentos me confundem. As pessoas me confundem, me assustam algumas, me alegram poucas, me agridem muitas. Sinceras poucas, falsas muitas, desinteressadas quase todas. Mas tudo vai se ajeitando, como numa caixinha, como numa mala de viagem. O destino ainda não é sabido. Mas a viagem, sem dúvida, começa. Mesmo que em direção ao nunca, começa.

Seguirei o rio. Maio ficou. A vida segue. Com medo, com aflição, mas segue, imparável!

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8 respostas para Algumas palavras, não deveríamos dizer [nem] a nós mesmos

  1. Margot disse:

    É importante saber quando recomeçar Alex. Tempestades, tornados e afins sempre deixam um rastro de destruição, mas deixam também a possibilidade de um novo renascer, que não deve ser desperdiçada. Solte-se das amarras do porto e navegue Alex. Navegue rumo às suas metas, siga seu coração e seu instinto de auto-preservação te protegerá dos males ou deles te desviará.
    Um abraço querido

  2. melhoras querido
    espero que junho seja melhor.

  3. Obrigado, meus caros! pelo incentivo.
    Não se preocupem. Trata-se, principalmente, de uma pausa para reflexão, mudanças.
    Abraços

  4. Cesinha disse:

    “E desse quase nada começou a nascer uma vontade de remar em direção ao quase tudo. Ao quase tudo possível, que eu nem sei onde é, quando será, se um dia será verdade.”

    Acredito que você saiba onde é. O “quando será” é que incomoda, não só a você, mas à quase maioria das pessoas. O processo da caminhada (no seu estilo, o “remar”) me parece que você também já intuiu. O que falta?

    Acredito (parece maluquice minha) que reescrevemos nossa história todas as manhãs. Nosso “Eu” é como um rascunho eternamente inacabado… vivemos de suas revisões. É como se nosso passado fosse refeito todos os dias, pois, na verdade, enxergamos esse passado pela perspectiva dos caminhos futuros que se abrem. E mesmo que não consigamos observar onde esses caminhos vão dar, sabemos que eles existem. Eu penso assim.

    Beijos.

    • Muito bom ler isso tudo num domingo!
      Animador!
      A possibilidade, como vc disse, de reescrever nossa histórias todas as manhãs (lindo isso!) é que nos move e anima a continuar adiante.
      O contrário, a resignação a uma situação desconfortável que fosse eterna seria absolutamente devastadora…
      Obrigado!

  5. Lucas disse:

    Meu amigo, apesar de todos os reveses, apesar de todas as artimanhas, de todas as quedas, a vida, como um rio, segue sempre. Resta saber se queremos ser uma poça d’água num canto ou fazer parte da corredeira. Acredito que você, inteligente como é, já escolheu ser como a água que insiste em seguir.

    Um abraço bem forte.

    • Bela e sólida mensgem a sua, como sempre, Lucas.
      “Resta saber se queremos…” motivaria um tratado, uma extensa discussão sobre as limitações humanas, de cada um de nós, até mesmo para ser capaz de fazer escolhas.
      Sem dúvida, eu tentarei, até o fim, fazê-las. Mesmo considerando todas as limitações, tenho, temos todos, condições de fazer opção. Enquanto existe consciência, existe a capacidade de optar.

      Abração, meu caro!

Comentários

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