E agora, tio? – VI

Mesa posta, frios, uma fruta, iogurte, dois homens enrolados em toalhas. Seu torso nu me deixava louco. Eu ainda não sabia, mas já então poderia chamar de meu! O peitoral e aquela bunda torneada sob a toalha me deixavam doido, mas o olhar… ah, que doce olhar tinha ele! Castanhos, escuros, sobrancelhas grossas, cílios longos. Arriscava, quase apostaria, que ele estava apaixonado, tanto quanto eu sabia estar. E esperava fosse por mim, naturalmente.

Terminamos o lanche, ele me ofereceu um chá. Primeiro gole, quente, puxei Rodrigo. Em pé diante de mim, ameacei tirar sua toalha.

— Posso?
— Deve!

Nudez monumental! Ofegante, quase perdendo a respiração, comecei a alternar goles de chá quase quente com beijos no corpo durinho, tesudo, até onde alcançava, acima e abaixo, liberando lenta e progressivamente a língua, em toques cada vez mais atrevidos, para que sentisse, com minha boca e língua, o calor que me ia na alma, em brasa.

— Assim é covardia, disse ele.
— Por quê?
— Fica mais comigo?
— Não fico. Já estou!

Ele arrancou minha toalha, ajoelhou-se, e me acariciou.

— Para! Se não não respondo mais por mim.

Ele me toma pela mão, me leva escadas acima novamente. Chegamos ao quarto, mas a bagunça, lençóis umedecidos pela brincadeira anterior, convenceram-no rapidamente a mudar prum outro, ao lado. Quantos havia naquele corredor? Agora, uma cama de solteiro nos aguardava.

— Peraí um pouco.

Voltou com gel e preservativos. Jogou-os sobre a cama, beijou-me. Atrevido, decidido, mostrou que o jogo estava empatado. Muitos beijos e muitos toques pau-a-pau depois, ele foi se entregando completamente, abrindo tudo para que pudéssemos nos fundir em um só. Finalmente, ele para e abre um envelope de preservativo. Ia já ameaçando colocar no meu. Tomo sua mão.

— Não. Você!
— Não faça isso! Tô louco pra ter você em mim!
— Você me disse que nunca fez…
— E você será o primeiro.
— Serei, mas hoje, você primeiro. É um ritual de que gosto. Você tem um talento raro, poucos homens têm: fazer com que o outro fique com vontade de ser possuído. Primeiro eu.

— Primeira vez que come um cara também?
— Claro. Não acredita em mim?
— Acredito, mas um cara assim… Desperdício …

Peguei sua mão, coloquei a camisinha na boca, sentei na beira da cama e fui desenrolando, encapando até o fim, lindo, pedra quente, parecia ainda maior do que vira. Uma delícia de tocar, pegar. Umas mamadas e parei, evitando que terminasse antes da hora. Passei gel, preparei a o caminho e me virei.

— Sou teu! …

Ele não precisou ouvir outro pedido.

–Devagar, caaaalma, que isso não é assim como você está acostumado a fazer …

Aos poucos, Rodrigo foi se mostrando mestre na arte, instintivo, tinha dote, talento, calma e vigor, tudo na medida certa. Não demorou a me possuir inteiro. Muitas estocadas de ladinho, posicionei-me de frente, pernas flexionadas, num papai-mamãe muito bem feito, ele me levou a um raro — segundo em toda a vida — gozo sem tocar no pau. Pouco antes, apontei-lhe os mamilos, quase implorando para que, sem interromper, passasse a língua por uns dos pontos mais sensíveis. Não demorou nada e fui. Não foram jatos. Talvez pela forma como fui estimulado, talvez por ter esporrado pouco tempo antes, o líquido escorreu, vazou do vulcão, fluiu, depois de um longo aquecimento que eu não experimentava desde minhas primeiras punhetas, lá pelos doze anos, antes de conhecer a primeira esporrada. Aquela sensação de que algo está derretendo dentro de você e, de repente, sai como lava. Vendo aquilo, gemeu rooucamente em meu ouvido. Terminou praticamente junto comigo. Delicadamente, saiu, me beijou, afastou-se.

— Muito gostoso! Loucuca isso! Você dorme aqui comigo?
— Não posso. Isso seria coisa de namorados.
— Exatamente isso.
— Ok, você venceu!
— Aceita, então?
— Dormir ou sermos namorados?
— Por enquanto, dormir. Namorados, a gente negocia depois. Quero as duas coisas.
— Aceito. É tudo que eu quero neste momento.
— Mas agora você é só meu! Topa mesmo?
— E de quem mais eu poderia ser?

Banho, voltamos pra cama dele, lençóis trocados, ficamos vendo um filme. Muitos beijos depois, ele acabou dormindo em meus braços, encostado em meu peito.

Beijei sua testa, coloquei-o no travesseiro ao lado.

Ah, estava mesmo me apaixonando. E como era bom! Há quanto tempo não sentia nada parecido!

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8 respostas para E agora, tio? – VI

  1. Junnior disse:

    Aleeex, me arrepiei! É sua a passagem, mas me vi nela. Desejei cada momento. Uma vontade de viver algo assim com alguém que desperte tudo isso que vocês viveram. Ufa! Que delícia de texto.

  2. Junnior disse:

    Posso colocar um link desse texto lá no IG?

  3. FOXX disse:

    gente
    enrascado pq?
    eu tow adorando a estória…

    mas é real?

  4. Olá blogueiro!
    A melhor prevenção é a informação e usando a camisinha, todos curtem melhor a vida e sem preocupação. Homens e mulheres, de qualquer idade, orientação sexual ou classe social são vulneráveis ao vírus HIV e a outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Ajude a divulgar informações e conscientizar mais pessoas sobre as formas de contágio e prevenção de DSTs. A camisinha é segura e a maior aliada nesse combate. Ela é distribuída gratuitamente na rede pública de saúde.
    Curta a vida. Sexo, só se for com camisinha, senão não dá! Com amor, paixão ou só sexo mesmo. Use sempre!
    Para mais informações: http://www.camisinhaeuvou.com.br/, http://www.aids.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude
    Siga-nos no Twitter: http://twitter.com/minsaude
    Atenciosamente,
    Ministério da Saúde.

  5. Jr disse:

    Bah me pude me ver nessa historia pq é o que acontece comigo toda vez que meu namorado e eu fazemos amor…

Comentários

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