Carta ao João (que teve medo de morrer)

João, caríssimo,

Sei que já nos falamos e fiquei de responder, mas ando tão bem ultimamente… que não consegui! Você sabe, acostumei tanto a escrever só no escuro dos dias… quando o sol aparece fico com os dedos travados. Não me sai uma palavra. Tenho me ocupado ultimamente em observar os dias claros, passear pela vizinhança, como um menino que acabou de descobrir o mundo. Feliz como os pássaros que tenho visto no campus aqui perto, abandonado com a greve. Imagina, eu morando aqui há seis anos, e só agora redescobri que vivo no meio de um jardim, tão belo quanto aquele outro de que eu gosto tanto…

Mas, enfim, cá estou, pra dizer que fiquei muito feliz em saber que, afinal, suas suspeitas não se confirmaram, e que o caso não tem nada a ver com o que pensava. Que é mesmo exercício mal feito, lesão sem maiores conseqüências.

Tomei a liberdade de mostrar o laudo que me enviou a um médico amigo, um anjo na verdade, que me tranqüilizou. Disse, pra resumir, que dessa você não morre. Portanto, busque outros medos. Este, por agora, já passou, não?

P.S. Já que você falou sobre o blog, estou pensando em sair daqui, do WordPress, mudar pro Blogspot. Dois dos quatro leitores que me restaram aconselharam a mudança. Ainda vou pesquisar. Entrei aqui no WordPress porque, à época, só aqui conseguia ver a estatística das visitas. Mas como, numericamente, é e sempre foi insignificante, acho que tenho mais é que facilitar a visita dos poucos que me restaram.

Do amigo, sem inspiração,

Alex.

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14 respostas para Carta ao João (que teve medo de morrer)

  1. Margot disse:

    Sim….. este é o post que eu esperava. Não que você tenha que agradar a qualquer um. Eu estava mesmo pensando em como conversar com você a respeito do comentário que fiz na carta do João. Acho que não me fiz entender bem. Outro dia falo disso. Mas…. Alex… como o João deve ser feliz tendo um amigo como você, para estar com ele. E como fico feliz de saber que afinal, um pouco do medo do João, pôde ser debelado com a opinião de um outro médico. É preciso sempre, buscar novas opiniões, novos pontos de vista. Quando temos médicos amigos melhor. Muitas vezes eles parecem ser como o evangelista Lucas, retratado no livro “Médico de Homens e de Almas”, de Taylor Cadwell.
    Alex, passe para o João, como se fosse osmose, parte da primavera que agora habita seu espirito. E diga a ele, que ele fique tranquilo. Ele tem um amigo, que é você, e você tem vários, que somos nós….. por consequência…”o amigo do amigo dele, é amigo dele também”.
    Beijos pra você e para seu/nosso amigo João

    • Margot,
      fiquei pensando muito numa frase que você comentou na primeira carta.
      Tomo a mim seus conselhos, pois João sou eu, que não teve coragem de assumir pra vocês todos que era o próprio a escrever.
      Mas me libertei disso depois que assumi a um nosso amigo muito amado aqui da blogosfera. Ele me acolheu tão bem em minha dificuldade, que achei por bem dar um basta nesse jogo de esconde-esconde de mim mesmo.
      Um beijo. Obrigado, e desculpe-me pela ficção em que acabei transformando a realidade.
      Tudo nas cartas é verdade. Apenas as identidades, João e Alex, é que são momentos diferentes de uma mesma alma.
      Não nasci mesmo pra ficção!
      Vou reler a história de Lucas.

  2. Margot disse:

    Não se desculpe por nada…..por favor. Tudo tem o seu tempo… como diz o amado Horácio… filosofo dos gibis. bjs

  3. Peter disse:

    Fiquei feliz que o João está mais tranquilo… Vida safada, sempre pregando sustos na gente, rsrsrs! Ainda bem que temos os anjos para nos acolher…

    Abraços, e vários para o João!

  4. Cesinha disse:

    Oh, meu amigo, que bom que você conseguiu redescobrir esse jardim, dentre os tantos que existem em sua alma. E que João, Alex, esse ser humano tão sensível que vive em você possa sempre escrever pra gente com essa leveza de hoje… é o que eu espero, é o que faz com que nós todos cresçamos cada vez mais. Bom te conhecer sempre um pouquinho mais.

    Beijos.

  5. Lucas disse:

    Oi, amigo, tudo bem? Eu li a carta do João e a sua resposta. Como é bom quando podemos voltar a enxergar as belas coisas da vida! Eu ainda tento… sei que é difícil. Não sei se ainda acredito na vida. Em anjos sim, eu acredito. Tem um que vive me salvando do abismo. Bom que você encontrou um também. Obrigado pelo seu carinho de sempre.

    Beijos.

    • Eu não sou sempre assim. João e Alex, nessas cartas, foram dois momentos da mesma alma, primeiro medroza da possível decadência e morte próxima, e depois um quase renascimento, vendo que (uma vez mais, felizmente), era infundado o medo!
      Eu também não sei se acredito na vida. Aprendi a deixar de pensar nessas coisas. Simplesmente procuro viver, um dia de cada vez, me entragar à vida.
      Beijos

  6. Del Piero disse:

    Olá desde o outro lado do Atlântico! (escrevo-te desde Lisboa). Tropecei no teu blog há 4 ou 5 dias atrás e ainda não consegui parar de ler. Vim aqui parar através do blog do Cesinha, e sinceramente adorei! O nome do blog é o melhor, o estilo, tudo, mas identificar-me mesmo mesmo, identifiquei-me com o conteúdo, a massa e a alma das palavras, o seu peso e sua leveza. Deixas-me sempre a pensar, a sensação com que fico é que tudo é relevante! Infelizmente estou sem tempo para comentar mais, mas não queria deixar de dar uma força grande para ti e outra para o teu blog!
    um abraço
    Del Piero

  7. Alexandre disse:

    Morrer ou não? As vezes viver na morte é melhor que morrer em vida… ou não.

    Abraços

    Alexandre

  8. junnior disse:

    Oi Alex. Fiquei feliz após ler esse ‘post’. Como sempre, os seus textos fornece alento aos olhos por causa da agradável leitura.
    Acho formidável o ensinamento pop de que é melhor viver um dia de cada vez. Olhemos para o futuro, mas, como não o sabemos, que seja como uma vista linda; um horizonte que se une ao oceano pra nos dizer que há um elo entre nós e as imensidões. João provavelmente aparecerá de novo angustiado e com mais medos, porém, há respostas para elas; há pessoas com as quais podemos contar. A gente só tem que confiar mais e, claro, mostrar isso.
    Bjaum.

Comentários

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