um menino que gostava de meninos – 1 

Hoje em dia, quando me perguntam desde quando sou atraído por pessoas do mesmo sexo, respondo com uma certeza não muito segura, mas liberadora: desde que nasci. Talvez seja exagero, pois, pra falar a verdade, tenho quase nenhuma lembrança de acontecimentos antes dos dois ou três anos. E mesmo depois dessa idade, ainda por um bom tempo, são poucos os registros digamos… factuais.

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Embora nunca tenha sido a “bichinha da escola” ou vítima sistemática de bullying, fui incomodado e perseguido algumas vezes. Nunca chegaram a ser fisicamente traumáticas, essas coisas, mas deixaram cicatrizes. Acho que os fatos não têm muita importância. Todos enfrentam dificuldades, mas as vezes eu me pego pensando como acontecimentos parecidos trazem conseqüências bem diferentes pra cada criança, e resultam em adultos com problemas (e soluções) tão diferentes…
Desde meus três ou quatro anos, sempre houve alguma presença masculina que disputasse minha atenção. Nada sexual, até porque eu, então, nem sabia que sexo existia. Sem muito exagero, talvez nem mesmo que meninos eram diferentes de meninas. Minha primeira grande atração masculina não foi a figura de meu pai, nem de outro adulto próximo. Nessa fase, antes dos cinco anos, apaixonei-me por um vizinho, Marquito, garoto então lá pelos seus oito ou nove anos. Morava em frente à nossa casa e eu, não sei como, passei a admirar, do nada, sua figura. Era bonito, disso me lembro bem. Pelo menos ficou isso registrado. Se era ou não… sei lá! Dependurava-me nas grades do muro para vê-lo chegar da escola, sair andando de bicicleta, e eventualmente vindo me fazer bilu-bilu-neném. Eu era mesmo pouco mais que isso. Sonhava com o dia em que eu também poderia ir pra escola, ser “homem” como Marquito. Mas na verdade, só décadas depois consegui ver, aceitar e entender que já havia naquela ali uma atração diferente.

Depois, na fase da pré-escola — em que não frequentei escola–, comecei a prestar forte atenção na beleza de alguns homens adultos, embora os conceitos de feio e bonito ainda não fossem verbalizados e muito menos racionalizados. Eram apenas sentidos; uns me atraíam, outros não. De dois deles ainda me recordo com muita nitidez. Eram, seguramente, homens que tinham beleza e sexualidade mais aflorada do que os carrancudos, sisudos e supostamente castos homens de minha cidade, então quase aldeia. Não, nada de sexo ou abusos. Sequer referências. Na sociedade pudica em que vivia, não me passava pela cabecinha nem mesmo imaginar que os homens adultos usassem seus penduricalhos para algo mais que fazer xixi.

No primeiro ano de escola, já aos quase sete anos, me apaixonei por um colega da segunda série. Claro, naquele tempo não fazia idéia do que seria aquilo que tanto me incomodava, aquela vontade de ver e estar com ele, mas hoje não tenho dúvida: era paixão, infantil, mas das boas! Ele me dava uma atenção que nunca tinha recebido de ninguém. Pra ele, eu existia! Gostou de mim, conversava comigo, se interessava por mim. Era cabeludo, — o que, naquela época, lhe dava um ar de ousadia e modernidade –, bonitão e bem desenvolvido. Eu passei a imaginar que pudesse ficar sozinho com ele, receber dele carinhos que, só hoje sinto, estavam me faltando em casa e faltariam ainda muito vida afora… Em minha imaginação ingênua, a maneira como isso aconteceria seria ele ficando doente e eu, só eu, cuidando secretamente dele. Não via Glauco como um homem, um meninão que era, mas um amigo a quem eu queria muito. Hoje, porém, sendo honesto comigo, admito que havia, sim, uma forte atração, uma misteriosa e muito prazerosa atração, um desejo de aproximação verdadeira, proibida por um motivo incompreensível, que eu atribuía à nossa quase diferença de classe social. Nessa época, me imaginava personagem de uma história de amizade entre dois meninos. Eu amado e admirado por Glauco. Sim, porque pequeno e quase pobre como eu era, jamais poderia ser “amigo” dele, bonito e quase rico. Só em imaginação. Se isso não era paixão, também não sei que nome dar ao que sentia. Ah… Marco, o Marquito, e Glauco. Romanos imperadores da minha primeira infância.

Cheguei à primeira comunhão quase puro. Quase, não fosse pelo súbito interesse por ver pintos que a amizade com um primo despertou naquele garotinho desinformado que eu era, alguns meses antes, já durante o catecismo preparatório, lá por volta dos sete anos. Nessa época, esse primo, com seus doze pra treze anos, meu vizinho, já entrara na adolescência e os hormônios estouravam por todos os seus poros. Vivia falando uma palavra estranha, desconhecida e ao mesmo tempo fascinante e misteriosa: — tesão, tesão… andando de pau duro pra lá e pra cá, e não raro dando uma mijada na nossa frente, pra gente ver… Era um exibicionista em fase de autoafirmação. E, para ele, nada melhor do que uma platéia virgem naquelas imagens… Um dia, ficamos conversando a sós e criei coragem para lhe perguntar se ele gostava de sentir o pinto dele duro. Ele não só disse que adorava, como prontamente me mostrou o seu. Era já um exibicionista de primeira e adorava mostrar-se superior.

Fiquei maravilhado: ali ao meu lado, grande, com a cabeça descoberta… Em contraste com o meu, pequeno e com pele presa (fimose! não sabia). Essa primeira visão de um cidadão mais desenvolvido, nunca esqueci. Apesar do impacto, hoje concluo que não devia ser lá tão grande assim. Ele nem pelos tinha e, enquanto duraram nossas brincadeiras, nunca ejaculou. Mas o safado já entendia de todas as sacanagens que homens e mulheres faziam, e as coisas que me contou derrubaram meu mundo. De repente, comecei a imaginar que todas aquelas pessoas puras, castas e rezadeiras também tinham um lado misterioso. Do sexo entre homem e mulher nasciam as crianças. E alguns meninos e homens faziam coisas diferentes. Eram os “veadinhos”, como eu passei a ser chamado por meu primo, pelo simples fato de ter um pinto pequenininho, e que não arregaçava a cabeça. Fico (hoje) pasmo, mas essa a justificativa dele para me tachar “veadinho”. — Você é “veadinho”. Segundo ele, “veadinhos” eram assim. Homens tinham pintos, pintões, diferentes, arregaçados, poderosos. Só “veados” tinham pintinhos como o meu. Estúpido, desinformado e muito maldoso.

Noomday heat, 1902. Henry Scott Tuke.

Não contente em falar essas coisas, me contava como eram os outros que ele já tinha visto, mostrava-me o dele, insistia para que eu pegasse. Contava-me que fulano tinha um de tal ou qual tamanho. E riscava o desenho na calçada. Eu, vendo aquilo, duvidava que existisse algo daquele porte. E, pior, se existisse, imaginava que eu jamais chegaria a tanto… como de fato não cheguei … Confesso que gostava de ver o aparato de meu primo, mas nunca tinha vontade de ficar pegando. Com o tempo, ele foi me informando… sobre brincadeiras e coisas que os caras faziam com garotas etc.
Enfim, era, de minha parte, uma coisa absolutamente pueril, uma curiosidade natural, mas que foi aproveitada, mal conduzida e me levou a ser vitima de um cara que, ele sim, sabia o que estava fazendo. Nem mesmo os penduricalhos alheios eu conseguia ver com frequencia, embora minha curiosidade a respeito passasse a ser quase permanente desde então. Nunca mais consegui me livrar do complexo em relação aos demais. Meu primo foi cruel. Além de me humilhar pessoalmente, espalhava sei lá o que para seus colegas, e passei a ser motivo de risadinhas sacanas, maliciosas, vítima de olhares de desprezo sempre que passava por alguém do grupo próximo a ele. Até sair de casa e ir à escola passou a ser uma tortura, que eu vivia em segredo. Nunca soube que mentiras ele inventou. A verdade sobre o que ele fazia é que não terá contado… Sim, mentiras, porque entre nós nunca aconteceu nada de que eu pudesse suspeitar fosse errado ou vergonhoso, nada fizemos além de ficarmos pelados juntos, tocando carinhosamente um o corpo do outro, ele sempre pedindo: — pega aqui! E eu atendendo, a contragosto, seu pedido, com a rapidez que me permitiu hoje nem lembrar como era, assustado, mas curioso, excitado, com tudo aquilo. Não gostava, mas queria ver, admirar. Pegar, não!

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Outros garotos e rapazes vieram. Poucos, mas atrozes em suas brincadeiras depreciativas, me jogando pra baixo sem que eu jamais conseguisse ou pudesse reagir. (O mau que essas sacanagens nos fazem resulta da impossibilidade de defesa. Covardia das grandes). Até adulto, nunca fiz nada que pudesse ser considerado ato sexual propriamente com ele, nem com outros. Nunca fui abusado fisicamente, mas as palavras e poucos atos deixaram marcas, tão ou mais fundas do que talvez tivessem deixado brincadeiras carnais contundentes, em relações menos assimétricas com garotos da minha idade, em mesma fase de desenvolvimento; relações menos desiguais, enfim. Enquanto os traumas se consolidavam, minha curiosidade em relação aos homens só aumentava. Curiosidade por aquele mundo desconhecido ao qual eu sentia não pertencer, no qual eu jamais seria admitido. Aquele universo de homens dotados, valentes, poderosos, que jogavam futebol, gostavam e falavam de mulheres, que se divertiam em eventuais exibições mútuas, mas sempre muito másculas e acima de qualquer suspeita.

Chegando à adolescência, também comecei minha inevitável fase de punheteiro, entre doze e treze anos, inaugurando novo capítulo, ou antes, dando continuidade à mesma e velha história. Solitária.
No fundo, nossas histórias acabam sendo sempre as mesmas, similares, escritas desde muito cedo. Podemos mudar, sim, mas as sensações ficam, quando não conseguimos encerrar de modo satisfatório e bem resolvido a fase anterior.

Nunca pensei muito nisso tudo, e quando lembrava, vinham apenas recordações nada amarguradas. Mas agora, escrevendo, uma certa ponta de tristeza me invade. Acho melhor interromper… por hoje.

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26 respostas para um menino que gostava de meninos – 1 

  1. Lito disse:

    Nossa cara vc escreve muito bem, entrei só pra ler duas linhas e acabei lendo a historia toda ^^

    Parabéns.

    Sinto muito pelo que vc passou na sua infância.Acho que todo mundo passa por coisas assim.E achei super importante vc ter deixado bem claro que não sofreu abuso…As pessoas tendem a associar que somos gays por que sofremos abuso sexual durante alguma fase da vida e nem sempre isso é verdadeiro.

    Também achei fantástico o fato de vc ter deixado claro a sua inocência de menino e sua maturidade que aos poucos foi sendo alcançada.Contudo, sem haver promiscuidade durante a adolescência,tento apenas maiores contatos sexuais na fase adulta.

    Adorei seu blog, vai ser mais um dos meus favoritos aqui.
    Queria te pedir um favor:Seria possível mudar a cor pra uma mais escura?
    é que sofro do fotofobia,ler nessa tela clara é um sacrifício que vc não tem idéia…

    Abraços!

    • Alex Martini disse:

      Obrigado! Bom que você gostou.
      Uma história pode mostrar como muitos têm histórias iguais…

      • Junior disse:

        Sim, muitos. Me vi em algumas passagens da sua históra e imagino que escrevê-la tenha mexido com os seus sentimentos. Já pensei em escrever a minha no blog, mas ainda não o fiz por isso. Não que eu tenha sofrido “bullings” na escola, não é isso, mas creio que eu sabia desde cedo que seria diferente daqueles meninos que só falavam de meninas pra mim e me deixavam desconcertado.
        Alex, muito boa a leitura que fiz do seu texto. Difícil o blogueiro manter a atenção do leitor com textos grandes e vc, como eu já disse, tem esse poder.
        Parabéns.
        Junior.

      • Alex Martini disse:

        Pois é, Junior, a história de nossa (futura) sexualidade começou, com todos que conheço, lá atrás. Sei que blogs não são, digamos, o veículo mais adequado para esses textos, mas começo a escrever e acabo indo além do razoável.
        Como não tenho a pretensão de ser campeão de leituras, fico feliz em já ter poucos mas muito qualificados e agradáveis leitores para compartilhá-los.

        Senti vontade, escrevi. Mexeu, mas está sendo bom. É bom buscar os sentimentos mais profundos que nos acompanham. Nossa memória sentimental, revivida agora, que não somos mais aqueles meninos indefesos, mas homens, capazes de enfrentar a vida e o mundo!

        Como não posso voltar no tempo e falar diretamente àquelas pessoas, que já nem existem mais, como não existe mais aquele menino que fui, tento o resgate pelo texto, para mim mesmo. Reviver. Reavaliar. Recolocar.

        Obrigado!

  2. Heiderscheid disse:

    Que interessante experiência de vida você tem. Eu não diria que essa época da minha vida foi igual – mas foi bastante semelhante. E eu meio que ainda estou vivendo (ainda tenho 17 anos). Não tive essa sorte de poder admirar um pinto de um primo mais velho tão novinho… só fui descobrir o que era pinto de verdade lá depois dos 11~12 anos.
    Texto muito gostoso de ler, parabéns.

    • Alex Martini disse:

      Caro Heider,
      sei que contado assim, distante no tempo, pode parecer uma coisa interessante. Mas isso só é aos nossos olhos de hoje, meu, seu e de outros, que revemos as cenas com nosso olhar atual, já experiente.
      Quem viu aquele pau foi um garoto de sete anos. Não fui vítima. Fui, antes, atraído por minha curiosidade e, diante da falta de alguma proteção, se meu primo quisesse, e se eu fosse mais afoito, poderia até ter acontecido outra coisa: ter sido enrabado. Já pensou? Não sei como teria sido minha história se a brincadeira tivesse tomado esse rumo. Impossível saber.

      Você, por outro lado, viu um aos doze, já adolescente, já sabedo um monte de coisas sobre sexo, já sabendo que um dia seria homem também, igual ao que você estava vendo. E, espero, não terá sido ridicularizado por ver e/ou fazer algo mais.

      Sinceramente, se eu pudesse refazer o filme de minha vida, as cenas com meus primos seriam cortadas. Reecreveria outras, de forma a satisfazer minha curisoidade sem traumas. Sim, traumas. Não tem como dizer que não sofri.

      A forma como um garoto de sete anos vê as coisas é bem diferente de como verá quando adulto. A dimensão, e as consequências, são outras. Daí a necessidade de que as crianças sejam protegidas. Inclusive de sua própria e precoce curiosidade… Mas os pais, muitos, preferem fechar os olhos e não ver o que está acontecendo. Preferem ver seus filhotes como anjinhos assexuados.

      Disso decorre que a vida de uma pessoa pode ser uma loteria. Eu, hoje, faria outra aposta!

  3. Oi Alex, muito bom o seu texto; fiquei até com vergonha diante da qualidade de sua escrita. Quanto ao conteúdo, o que posso dizer? Fui até o final dele visualizando o seu drama e a humilhação por parte da garotada. Diria que foi bullying, realmente. E numa época em que não se usava esse termo, não? Tenho muitos amigos homossexuais e todos contam histórias parecidas. O que noto é que as cicatrizes fizeram de alguns pessoas difíceis de se conviver. Como vê isso? Desculpe a pergunta, mas vi que você é uma pessoa que se expressa muito bem e também muito instruída. Me perdoe de fui inconveniente…

    • Oi, Emildo! Obrigado pela visita e pela generosa avaliação. E, sobretudo, pela aceitação.
      O conteúdo, a história, costuma chocar algumas pessoas, pela franqueza e por alguns termos menos pudicos. Fico feliz em ver que você não desconsidera ou condena os que, como eu, não pertencem à maioria, nesse aspecto (que considero irrelevante, mas que pra muita gente ainda é motivo de condenação).

      Sobre sua pergunta: concordo com você. Todo tipo de sofrimento tem consequências. E muitas pessoas sobrevivem, mas carregam consigo dificuldades, mágoas, que as tornam ásperas, amarguradas, quase violentas no contato com os outros, numa espécie de revolta mal resolvida com a humanidade. Enfim, acho que alguma consequência sempre há. Comigo não é diferente. Acho, no meu caso, entra o atenuante de não ter sofrido propriamente violência no sentido da violência física, estupro. O ser humano é sua história, mas sobretudo o que foi capaz de fazer com sua história.

      Mas essas cicatrizes e suas consequências não são só com aqueles que desenvolveram, ou nasceram com, uma sexualidade diferente da maioria. No fundo, quase todo mundo tem uma explicação pra suas próprias imperfeições, asperesas, quase sempre calcadas em alguma cicatriz, sem dúvida.

      Especificamente sobre a sexualidade, essa coisa que vivemos em vida privada, quanto mais aceitos como seres humanos normais, menores serão as cicatrizes, menores as reações, maior a aceitação.

      Grande abraço

  4. José Antonio disse:

    Caro Alex,
    Tropeçei no Apimentário e acabei caindo aqui!
    Sua escrita me deixou atordoado.
    Existe uma precisão cirúrgica, uma clareza de bisturí que chega a cegar.
    Muito do que voce escreve pertence não só a sua própria história ,mas da história comum de todos os solitários excluídos independente da sexualidade.
    É um elogio estranho, mas ainda sim um elogio: A muito tempo não encontrava uma linha que me perturbasse tanto!
    Grande Abraço

    • Caro José Antonio,

      sem dúvida, um elogio e tanto. Obrigado!
      E, porque gostamos de elogios? Porque eles mostram que conseguimos estabelecer uma comunicação verdadeira, passar nosso recado, e descobrir no outro algo que temos em nós, independentemente da sexualidade, que é apenas um aspecto de nossa integralidade> Diria que até irrelevante, até, se considerarmos que temos, todos, muito mais sentimentos e interesses em comum. Somos todos humanos!
      É muito gratificante ouvir isso de alguém que consegue ultrapassar essa barreira e divide sua impressão. Vou pensar sobre os “solitários excluídos”. E, quando estiver em casa, vou fazer-lhe uma merecida visita.
      Grande abraço

  5. oi, eu tenho uma grande dificuldade de admitir mas tenho quase certeza de que sou gay e meu pai me bota contra a parede e fala que eu tenho que ser como ele: um jovem “pegador” porém eu não sinto prazer vendo corpos nus de mulheres.somente sinto prazer e mistério por corpos de homens.
    o que devo fazer?enfranta-lo e revelar a todos minha verdadeira natureza ou deixar simplesmente essa tortura continuar?por favor responda.saiba que eu preciso muito de sua ajuda.
    desculpe-me pelo e-mail e nome falsos pois tenho medo de revelar-me.

  6. Jean disse:

    Parabéns, Alex! Realmente seu texto é muito bem redigido e carregado de sentimentos que só uma autobiografia pode ter. encontrei seu blog por acaso, enquanto pesquisava por Henry Scott Tuke. Sou estudante de artes e já tive um blog em um passado distante. Há tempos que não me senyia tão cativado ao ler um texto de blog.
    Obrigado por esta experiência!
    Quanto ao desenvolvimento da questão afetiva e sexual no decorrer dos anos, acho que realmente similaridades são inevitáveis. Por sorte você (ao que me parece) como eu, passamos por estas fases da vida sem desenvolver problemas que possam ser considerados realmente sérios. Infelizmente não é a realidade de muitos. Por ser ainda um tabu, reiterado por muitos (políticos, professores, pais, líderes religiosos, etc.) a questão da afetividade e sexualidade denominada “diferente” é menos discutida do que deveria, mas prefiro acreditar que caminhamos para a mudança deste quadro, mesmo que lentamente.
    Bem, desejo a você muito boa sorte não só com o blog, mas na vida como um todo e mais uma vez agradeço por essa experiência.
    Um abraço.

    • Caro Jean,
      O melhor de ter um blog, mesmo que meio bissexto como o meu,
      é ler comentários como o seu!
      Em outros tempos, não tínhamos a oportunidade de compartilhar esse tipo de experiências,
      e muitas vezes ficávamos nos achando os únicos na face da terra a enfrentar certas experiências e sentimentos.
      Obrigado!

  7. fred disse:

    E a gente fica aqui – com vontade de ler um livro inteiro teu… hehehe!
    Bjos!

  8. Margot disse:

    Sempre senti/vislumbrei em voce, uma solidão de alma…. coisa estranha Alex. lendo o coment do Jose Antonio dei com o termo “estranhos solitários”, independente da sexualidade…sinto que somos muito, muito parecidos. Seu texto justifica sua alma….
    Alex…. beijos

    • Muita sensibilidade a sua, Margot. É incrível, mas é assim mesmo. Talvez, por isso, eu sinta uma imensa dificuldade em fazer parte… em me ligar…

      Acho que já valeu eu ter republicado esse post!
      Seu comentário vale ouro!

      Obrigado, minha amiga!
      Beijos

  9. SEXUALIDADE

    Lembro-me com clareza do tempo em que, ainda bem pequeno, já tinha interesse por meninas. Não apenas as diferenças físicas me atraiam, mas os trejeitos, a voz e até os olhares femininos me encantavam. Não me lembro de ter tido interesse por meninos, e muito menos, de ter feito uma opção sexual. A sexualidade, na minha ótica, é uma característica que vem com o indivíduo desde o ventre. Parece-me razoável supor que a teoria que diz que a sexualidade é uma mera questão de opção, faz com que todos os seres humanos sejam originariamente bissexuais, pois para alguém escolher entre sentir atração por homem ou por mulher, deveria ter a predisposição para atrair-se por ambos os gêneros. Como para mim seria impossível sentir-me atraído por pessoa do mesmo sexo, tal teoria me leva a crer que quando alguém afirma categoricamente que a sexualidade é fruto de escolha, tal pessoa considera que na época em que fez a sua opção pela heterossexualidade, ela poderia também ter escolhido ser homossexual, o que a classificaria como alguém bissexual.
    Esta linha de raciocínio me deixa perplexo diante dos reais motivos que levariam muitos líderes religiosos a passarem suas vidas tentando convencer a humanidade de que cada um escolhe se vai gostar de homem ou mulher, neste caso, devo dizer que sou obrigado a concluir que eles vivem um profundo conflito com a sua sufocada e ‘demoníaca’ bissexualidade.

    Eduardo de Paula Barreto – SP

    • Prezado Eduardo,

      seu comentário é um dos trechos mais inteligentes e definitivos que já li a respeito do tema.
      Como vc deixa muito claro, não há opção. A gente nasce.
      Muito bom ler seu depoimento!
      Obrigado pela visita e pela contribuição!

      Saudações

  10. SEJA VOCÊ MESMO

    Se eu fosse gay
    Com toda a certeza sei
    Que seria um gay assumido
    Porque faz muito mal
    Conter a energia vital
    Sendo gay enrustido.

    Então não fique sofrendo
    Por viver se escondendo
    Dentro de si mesmo
    Você precisa aprender
    Que o seu jeito de ser
    Surgiu antes do berço.

    Faça uso da sua liberdade
    Assuma a sua íntima verdade
    E viva com mais coragem
    Mas tenha sempre o cuidado
    De não cometer o pecado
    De macular-se com a libertinagem.

    Não deveria ser a sexualidade
    O aspecto que a sociedade
    Julga ser o principal do cidadão
    Que sejam a dignidade
    O caráter e a capacidade
    Os critérios de avaliação.

    Eduardo de Paula Barreto

    • Sua poesia merece acima e antes de tudo ser sentida; por isso, serei econômico nas palavras, que poderiam ser muitas, dada a riqueza do tema.
      O principal: o mundo seria bem melhor, e particularmente a vida daqueles como eu, se outros tivessem a sua sensibilidade para compreender e sentir que não somos o que somos por opção.
      Abraço fraterno, meu caro Eduardo!

  11. Alguem que quer ser feliz... disse:

    Gostei muito da sua história, hoje tenho 32 anos e não tenho coragem de assumir minha sexualidade…
    Tenho medo da reação da família, dos amigos…
    Não sou afeminado, mas dentro de mim, no mais profundo de meu interior só eu sei o que é gostar de “Meninos” e não ter coragem de dizer a ninguém, por medo, medo de tudo o que vão dizer, medo do preconceito e de sofrer com isso, mais do que já sofro ao esconder…

    • Meu caro!, antes de nos assumirmos para o mundo, precisamos nos assumir só pra gente mesmo. Pra mim não foi fácil, me é até hoje. Quando fugimos ao padrão da maioria, sempre teremos que lidar com isso de um modo que ,mais ou menos, nos causa algum sofrimento. Minha primeira relação com um homem foi aos 33!
      Só isso, acredite, fará uma enorme diferença na sua vida.
      A alguns, eu também jamais contarei. A outros, foi desnecessário contar, pois desde sempre sabiam o que só eu não queria ver. A muitos, não fez a menor diferença o que eu era antes, ou depois.
      Abraço fraterno!

  12. Eliziel Gomes disse:

    Texto magnífico,se tratando de sua compreensão,riquíssimos em detalhes.Já o acontecido,devido a mais pura inocência e singela curiosidade não me atrevo em dizer que tenha sido algo bom.Infelizmente a fase mais linda de uma criança é recheados de “lobos-maus”,uns mais “bobos” e outros mais maliciosos.Onde estão nossos pais nessas horas para nos livrarmos dessas armadilhas e nos orientarmos sobre esses garotos que se aproveitam da inocência de outros?.No meu caso,não foi outra criança de mesma idade que a minha.Lembro-me não muito exato em que idade, entre 4,5 ou 6 anos fui convidado pelo meu vizinho em plena sua testosterona à mil,fato este desconhecido nessas idades por mim, para assistir televisão em sua casa.Pela minha ingenuidade não sabia que a partir daquele momento minha vida iria mudar.Na verdade não sei se a ingenuidade foi minha ou da pessoa que estava responsável por mim,pois meus pais estavam trabalhando,que deixou o lobo-mau em pele de cordeiro me levar.Não tinha curiosidade,pois ainda nem tinha entendimento que menino tinha pintinho e meninas não.Das marcas das lembranças que ficaram sei que foi apenas um deitar sobre seu corpo nu,com um detalhe, ele tinha um pinto muito maior(duro)do que o meu.Em seguida ouvi minha irmã me chamar,mas já era tarde.A mente daquele menininho desprovido já estava confuso.Hoje,tenho 30 anos e só quem sabe desse fato é o meu namorado(amigo)que convivo à 7 anos.Já pensei em muitas vezes em assumir,mas resolvi assumir só pra mim mesmo.Mesmo assim ainda sinto olhares atravessados de desconfianças sobre minha sexualidade.Isso tudo foi a chave de abertura para o decorrer da minha infância,tendo que lidar com xingamentos e ao mesmo tempo contraditório à palavra de Deus(Bíblia)que eu acredito.Situações diferentes e resultados semelhantes.Quero te parabenizar pelo texto,que por sinal muito bem escrito,pela pessoa que você é hoje,apesar dos traumas e pela oportunidade que nos permite em contarmos situações aparecidas mas desconhecidas da nossa linda ingênua infância.

    • Caro Eliziel,

      Obrigado por compartilhar sua experiência. Os fatos a gente não muda, mas a gente pode aprender a interpreta-los e deixar que eles influenciem tão negativamente na vida da gente. Mas é uma estrada que se percorre. As marcas ficam pra vida toda.

      No seu caso, me parece que foi uma experiência muito leve. Como no meu caso. Às vezes, uma coisa que para outro garoto pudesse ser superada facilmente. Conheço muitos garotos que fizeram sexo com outros meninos e nem por isso são gays hoje. Ou seja, alguma coisa em nós, somada aos fatos e experiências, deu no que deu. Não importa. Devemos ser felizes. E não falo de alegria passageira nem de euforia. Falo de plenitude na vida.

      Eu também acredito em Deus, mas não acho que ele não me ame por eu preferir homens a mulheres. Encaro isso mais como uma provação. Descobrir o amor sendo gay, pra mim, foi muito mais difícil. E o amor não tem sexo!! E o sexo é bom e deve ser praticado. Faz parte da nossa vida física.

      Grande abraço!!

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