E agora, tio? – X

… continuando uma história mal começada, ou breves elocubrações de quem não tem nada pra fazer e resolve fazer ginástica com os dedos …

Muitos dizem que uma história é boa quando pode ser contada. Alguns, que histórias boas são aquelas que nunca contaremos a ninguém, que degustaremos, ou ruminaremos, remoeremos, eternamente, na companhia de nosso travesseiro. Outros, talvez mais sábios que nós, dizem que melhores ainda são aquelas obscuras que ficam no inconsciente. Provavelmente todos terão um pouco de razão. Há novelas excelentes que nunca sairão da cabeça de quem as viveu, e há besteirol ocupando espaços. Tenho a pretensão de, apesar de próximo às últimas, ainda merecer um pouco a fibra ótica que me transporta.

Há histórias muito boas que ficam ainda melhores quando contadas. Talvez porque ao contá-las tiramos dela os fiapos que poderiam atrapalhar a fruição, ou antes porque, tirando qualquer farpa, lapidando, permitimos no outro [o eventual ouvinte ou leitor] algum prazer que, em nós, para efeito similar, bastou a história real ou imaginada, com tudo de bom e nem tanto que nos causou. O prazer, conhecemos nós. O interlocutor, precisará imaginar antesa para sentir depois.

Algumas são tão boas que causam algum espanto que ao virem ao sol recebem alguma água fria de quem a ouve ou lê. Acabam se recolhendo, metem o rabo entre as pernas e saem de fininho. Mas, se é boa mesmo, enquanto não contada continuará fermentando o peito de quem a viveu, querendo vir à janela. A maioria não se enquadra em nenhum caso, fermenta e sai, mas vinho bom nunca será. Uma dessas últimas foi a história que comecei aqui há tempos, quando isto aqui ainda se pretendia um blog de verdade, história que provisoriamente nominei “e agora tio?”, título que acabou se mostrando meio canhestro à medida em que a vida ia pra tela do computador, porque o tal tio, personagem sério e real, foi quase se transformando em sobrinho, um moleque junto a outro moleque, envergonhado e receoso no início, petulante a seguir, apenas homem pouco depois.

Isso tudo pra dizer que a breve historieta será retomada de onde parou, ou foi parada, meio censurada [sim, porque o senso de ridículo às vezes nos autocensura, pena, ou ainda bem?], e se recolheu, insignificante que era, e continua sendo. Mas agora me disse que quer sair da toca, dar um ph***-se pra quem a viveu e não gostou. Sai, agora, sem a censura ou expectativa de antes. Apenas como ginástica para os dedos. Sim, exatamente: na falta de coisa melhor pra fazer com eles, antes que você pergunte! Sem a pretensão de transformar um reles fermentado em vinho bom.

E pra não perder o hábito, uma musiquinha pra [me] acompanhar.

Anúncios
Esse post foi publicado em autoficção, Letras e vida, Sem Categoria!, Ser blogueiro, Vida real. Bookmark o link permanente.

12 respostas para E agora, tio? – X

  1. Latinha disse:

    Humm… histórias… engraçado, ao ler tua postagem, revisitei algumas que nunca contei a ninguém, que são apenas minhas… talvez porque ainda existam algumas farpas a impedir sua finalização. Foram histórias bonitas, mas que não tiveram finais felizes… ou até tiveram se eu pensar direito… enfim… se é bom contar uma história, as vezes é muito bom ouvir também.

    Ainda sobre BSB, eu concordo contigo… há um que de “reino encantado” ao se chegar por ai… me lembro da primeira vez que fui… me sentia como se estivesse dentro de um livro com figuras, paisagens conhecidas, lugares históricos… mas o dia-a-dia nos mostra a dura realidade das coisas. E esse isolamento é visivel também…Mas é um lugar que se aprende a amar… confesso que gosto de passear pelas L´s, pelas W´s e me perder entre tesourinhas. [kkk]. E concordo contigo sobre o Paraíso!

    Abração!

    • Essa solidão espacial em Brasília nos convida muitos de nós, habitantes daqui, à introspecção. Não que em outras cidades isso não aconteça, depende de cada um, mas numa cidade onde até ha pouco tempo não tínhamos tantos problemas com trânsito e tal, onde não temos ruas para encontrar pessoas e dizer um bom dia, onde raramente as pessoas estão dispostas a algo mais que um bom dia ali na padaria… e se você já passou o tempo de gostar de botecos, então… é isso! É um lugar ótimo pra se viver, mas nada é perfeito.

      P.S. Bote suas histórias pra fora. Você poderá se surpreender. Use essa ferramenta excelente que é a Internet, que nos permite essa liberdade. Escreva e publique. Quem não gostar que não leia. Simples assim!

      Abração

  2. hoje eu prefiro contar ESTORIAS e não HISTÓRIAS, kkkk

  3. Para mim tudo isto é uma surpresa pois não tive a oportunidade ainda de ver este seu lado, mas verei … Adoro estes contextos onde nos mostramos um pouco mais de forma lúdica e sem medos, com aquela transparência sempre salutar para nossas vidas e construção de nosso SER.

    Beijão querido e mais uma vez reafirmo: Super feliz com seu carinho viu? Amei o presente e será lembrado para o resto de minha vida.

    BH te espera viu! Venha qdo puder e quiser. Será um prazer poder recebê-lo.

    Beijão

  4. em tempo! E agora Tio não tem ligação com o enredo fantástico de O menino q gostava de meninos né? Se tem eu acompanhei sim … rs

    Desculpe acho q estou meio confuso para me expressar … idade … só pode!!! rs

    • Certíssimo, meu caro. São duas histórias diferentes.
      “O menino” é autobiográfica, 100%, é tudo verdade”. Apenas os nomes citados foram trocados.

      “E agora Tio” é baseada em fatos reais, onde me permito algum exercício.

      Você não está confuso. Está é muito esperto! Gosto disso!

  5. Adriano disse:

    Primeiro: como você escreve fluente! Você vai encadeando as ideias, cada palavra certa no seu lugar, vai prendendo a gente… impressionante! E tem outra: com os comentários, acaba parecendo uma sala de estar, com as pessoas se sentindo à vontade pra entrarem no seu papo, muito bom isso! Agora já fiquei com vontade de conhecer mais essa história. E se for no mesmo nível daquela “um menino que gostava de meninos”… adorei aquela!

    Aguardando. Abraços

    • Uma sala de estar… Sim, aprendi isso com outros blogueiros. Mais importante do que escrever é ouvir (sim, é como se eu ouvisse). E um comentário carinhoso assim me estimula muito a continuar. “O menino…” é autobiográfica. A outra, baseada em fatos e pessoas reais, verdadeira, mas modificada em alguns pontos pra não ficar parecendo notícia de jornal.
      Abraços

  6. fred disse:

    “Senso do rídiculo”?!? Desconheço. Hehehe! Hugz! Bom fids!

  7. fred disse:

    Não consegui comentar no post acima – o mais recente – sobre a sauna… #quesepassa?!? Hehehehe! Mas comento aqui: adorei o texto… sutil e extremamente sensual – bem no teu estilo, caro amigo! E apesar de eu ser “daqueles chatos que sempre ganham todas” (djuuuuuura!!!) entendi perfeitamente a “experiência” a que te referes. Algumas das melhores coisas ficam mesmo nas entrelinhas! Bjos!

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s