Filmes para sentir e lembrar que ainda podemos ser simplesmente humanos. Jean Becker é um diretor básico, necessário, nesses tempos de violência e descrença.
Não gosto de contar as histórias, nem tenho conhecimentos para fazer crítica e analisar os filmes sob o ponto de vista da técnica, do conteúdo e da amarração de uma coisa à outra. São filmes feitos pra se sentir o outro, o próximo, pra nos identificarmos com o que há, sempre houve (será?) e esperamos sempre haverá de humano no homem. Pelo menos enquanto vejo seus filmes acredito nisso. E não é pouco um filme conseguir isso!
Becker tem uma linha constante em seus filmes. Nos três que já vi (Conversas com meu jardineiro, Minhas tardes com Margheritte, O Olhar da inocência) personagens, aparentemente díspares entre si, se encontram em situações mais ou menos casuais, naturais, e mostram sempre um lado firme, convicto, do qual não abrem mão, porque constitui a própria essência de cada um. Modificam-se na convivência, ou antes redescobrem a profunda humanidade que, perdida em si, no outro sempre se fez presente.
Eles não apenas têm, mas são verdadeiramente aquilo que acreditam ter e têm de melhor, mesmo sem muita consciência. Eles simplesmente são e fazem dessa crença toda sua força para enfrentar a vida que, desse modo, pode até parecer leve. Distantes, diferentes, as pessoas se identificam a partir de encontros sempre significativos que despertarão no outro o que ainda tem de melhor. Suas personagens se aproximam e promovem a mudança no outro, uma redescoberta de si mesmo, dos valores mais profundos que a vida, o mundo, de alguma forma havia abafado, mas não aniquilad, prejudicado mas não destruído. Mudanças sutis, porém sempre firmes e que se mostrarão definitivas: verdadeiros renascimentos para uns, e para outros a continuidade no caminho que sempre mantiveram, até mesmo por não conhecerem outro mais verdadeiro. Toca ver a convicção de suas personagens nos valores mais simples e profundos da vida simples, clara. Vida, simplesmente vida.
São filmes que sinto, mais do que me fazem pensar. Histórias e personagens que eu gostaria de encontrar na vida real, ter o privilégio de conhecer e permitir que me transformassem.
Ao final de suas histórias, fico sempre com vontade de não sair dela.
Cinema de primeira. Pro meu gosto.
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